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  GAUDÊNCIO TORQUATO

 

 

 

 

Porandubas nº 556
 
Gaudêncio Torquato
 

 

 

 

 

Abro a coluna com historinha da Paraíba.
Em diagonal
Severino Cabral foi prefeito de Campina Grande/PB, vice-governador, chefe político de muitos votos. E conhecido pelas tiradas engraçadas. Uma tarde, no Rio, andava pela avenida Rio Branco. Resolvendo passar para o outro lado, meteu-se na frente dos carros, fora do sinal. O guarda gritou:
– Cidadão, não pode ir por aí. É proibido atravessar em diagonal.
Severino Cabral voltou:
– Você não conhece roupa não, ignorante? Isto não é "diagonal". É "tropical maracanã".
Atravessou em diagonal com seu tropical maracanã.
Outra de Campina Grande
Num comício em Campina Grande/PB, Alcides Carneiro falava e foi aparteado por um popular.
– "Campina Grande é de Argemiro!"
De imediato respondeu:
– "Campina, és muito grande para pertenceres a um só homem..."
Maia candidato
Rodrigo Maia é uma boa surpresa do atual momento político. Guindado à presidência da Câmara em um momento de intensa crise política, Rodrigo tem se saído melhor que o figurino. Graças a ele, o Executivo tem conseguido avançar com sua coleção de reformas: teto dos gastos, reforma educacional, reforma trabalhista, lei da terceirização, mini-reforma política. E em curso, a reforma da Previdência, para a qual o presidente da Câmara tem dedicado grande esforço.
Homenagem na Cebrasse
Rodrigo foi homenageado nesta segunda-feira com o Prêmio Cebrasse Personalidade Política do Ano. Tive oportunidade de fazer breve saudação aos homenageados. No caso de Rodrigo, puxei algumas características de seu perfil: liderança, diálogo com todos os partidos e líderes, capacidade de mobilização, firmeza, coragem de fazer uma agenda avançada. Dessa forma, tem se tornado grande protagonista do momento político. Falei mais: por essas qualidades, gabaritava-se a entrar no figurino de 2018 como candidato das forças do centro, combinando bem com o perfil a defender o legado do atual governo.
A resposta de Maia
Pois bem, ao discursar agradecendo a comenda da Central Brasileira de Serviços, Maia fez um denso discurso: traçou a herança maldita da era lulo-petista, puxou a orelha de candidatos que evitam votar reformas impopulares – sem analisar o bem do país -, comprometeu-se com as reformas, mostrou conhecimento de causa sobre as ameaças que pairam sobre a previdência, conclamou os empresários a se unir em torno da agenda reformista. Enfim, fez uma peroração de candidato. Minha conclusão: se o cavalo passar encilhado na frente, ele monta.
No lugar de Meirelles
Se a economia for resgatada e os resultados baterem no bolso do consumidor, a lógica apontaria para o perfil responsável pelo crescimento do Produto Nacional Bruto da Felicidade: Henrique Meirelles. Acho até possível que o governo esteja trabalhando com essa hipótese. Mas, convenhamos: o ministro é pesado como uma carreta. Tem fala arrastada, como se tivesse dificuldade de concluir o raciocínio; não consegue puxar aplausos em suas lentas perorações; não tem um pingo de carisma. A economia recuperada até poderia funcionar com sua sombra ou alavanca. Mas funcionará melhor se compor o discurso de alguém mais jovem, flexível, hábil na articulação, leve e solto. Rodrigo Maia entra bem nesse traje. Por isso mesmo, pode vir a ser um bom candidato.
Aventura? Não é bem assim
Rodrigo acha muito cedo para uma "aventura" como uma candidatura presidencial, ele que não teria votos para se eleger governador de seu Estado, o Rio de Janeiro. Este é seu raciocínio. Ora, o pai dele, César Maia, um perito em ciência política, sabe muito que não se pode comparar os pleitos. O pleito estadual tem suas nuances. O pleito Federal ocorre ao sabor de circunstâncias, parcerias partidárias, tempo de mídia eleitoral e muito simbolismo. O que representa o candidato: o passado ou o futuro, qual sua agenda, qual tem sido seu papel na crise. Dilma foi eleita em 2010 sem nunca ter tido voto em campanhas anteriores.
Eliot
Cheguei, até, a lembrar ao Rodrigo Maia a lição do poeta T.S. Eliot: "somente aqueles que se arriscam a ir longe demais, sabem até onde podem chegar". Quem não arrisca, permanece no mesmo lugar.
Os extremos se sustentam?
A indagação é recorrente: as extremidades na campanha eleitoral de 2018 darão o tom? Este consultor analisa o caso assim: até o momento de ampla visibilidade dos principais protagonistas, a tendência é a de manutenção de elevado grau de polarização entre os extremos, à direita e à esquerda, no caso Bolsonaro e Lula. Depois a tendência é a de espraiamento das ideias e dos perfis com arrefecimento dos radicalismos e reforço de posições centrais. O candidato do centro poderá ser a alternativa contra os radicais.
O candidato do centro
Geraldo Alckmin entra no traje de candidato do centro? Sim. Mas falta a Geraldo a firmeza, a determinação, a coragem de ousar. Trata-se de uma figura simpática, incapaz, porém, de matar uma mosca, como se diz na linguagem das ruas. Geraldo ainda pega em seus ombros a tibieza de um partido repartido. O PSDB é um ente muito fracionado em alas, grupos, caciques. O murismo – subir no muro – faz parte da identidade tucana. Ele poderia dar uns murros sobre a mesa, como fazia Mário Covas, seu amigo e tutor.
Procura-se um candidato
Essa é a lógica que correrá nas margens do pleito: procura-se um candidato de centro, enérgico, líder, com boa fluência e grande discurso. Descartam-se os nomes que já estão na pré-campanha: Marina, Ciro, etc. Geraldo apresenta os vieses acima mostrados. Meirelles? Tem os problemas acima expostos. Rodrigo Maia? Combina com o momento. Mas a política é cheia de coisas imponderáveis.
A posição de Lula
A anunciada antecipação do voto do relator do caso Lula (tríplex), João Pedro Gebran Neto, da 2ª instância, é um forte indicativo de que o processo poderá ser julgado em março ou abril de 2018. O voto de Gebran foi enviado ao revisor dos processos da Lava Jato, desembargador Leandro Paulsen, que produzirá seu voto e fará seu encaminhamento ao 3º integrante da turma, desembargador Victor Luis dos Santos Laus.
Viabilidade?
Os três poderão aumentar ou diminuir a condenação feita pelo juiz Sérgio Moro. Se a decisão for unânime, caberá apenas um recurso, o embargo de declaração. Já um único voto divergente poderá ensejar um embargo infringente. Nesse caso, o processo é feito na 4ª seção, que reúne as 7ª e 8ª turmas, num total de seis desembargadores. Esses embargos atravessarão longos corredores. A decisão não é repentina. Este consultor acredita que Lula poderá viabilizar sua candidatura. E se não for candidato, fará um grande barulho.
Protagonista
O trem da economia mostra que a locomotiva ainda está lenta, mas caminha nos trilhos. E se o ritmo continuar o mesmo, teremos alguns avanços já no primeiro trimestre de 2018. Significa dizer que o conforto social poderá melhorar e, assim, influenciar o ânimo dos eleitores. Sob esse ângulo, o presidente Michel Temer poderá ganhar protagonismo às vésperas das eleições. A conferir.
Judiciário menos turbulento
O Poder Judiciário navegou em mares borrascosos. Discordâncias entre ministros do STF têm sido interpretadas como a existência de 11 tribunais naquela Corte. As decisões individuais quebram a harmonia no ambiente. Daí a hipótese que ganha corpo: os ministros se conscientizam da necessidade de união e decisões menos monocráticas. A sociedade quer ver um tribunal com menos turbulência.
Renovação será alta?
Fala-se que a renovação parlamentar em 2018 atingirá índices muito altos. O argumento é o de que a sociedade virou as costas para a política e, nessa esteira, fará grande renovação. A hipótese é razoável, mas esbarra num problema: e onde estão os novos nomes? O que se vê, em toda a eleição, é a volta dos quadros tradicionais ou de seus parentes. A renovação pode não ser a que se espera.
Reprovação dos governos
As eleições de outubro de 2018 ocorrerão sob o ciclo da maior reprovação de governos estaduais da contemporaneidade. A crise econômica corroeu as imagens de governadores. E bate forte nos redutos comandados por famílias tradicionais.
Ambição desmesurada
No meu livro Marketing Político e Governamental cito um pensamento do cientista político Robert Lane, em Political Life, que explica como a ambição desmesurada pelo poder funciona como um bumerangue. "A fim de ser bem-sucedida em política, uma pessoa deve ter habilidades interpessoais para estabelecer relações efetivas com outras e não deve deixar-se consumir por impulsos de poder, a ponto de perder o contato com a realidade. A pessoa possuída por um ardente e incontrolável desejo de poder afastará constantemente os que a apoiam, tornando, assim, impossível a conquista do poder".
Prêmio Cebrasse - I
A festa anual de entrega de prêmios da Cebrasse foi um sucesso. Além de Rodrigo Maia, receberam o Prêmio Destaque Legislativo a senadora Ana Amélia (PP-RS) e os deputados Rogério Marinho (PSDB-RN), relator da reforma trabalhista, Laércio Oliveira (SD-SE) e Walter Ihoshi (PSD-SP), além de personalidades nas áreas empresariais, sociais e jornalísticas.
Prêmio Cebrasse – II
Maria Cristina Frias, responsável pela coluna "Mercado Aberto" da Folha de S. Paulo, recebeu o prêmio Destaque Mídia Impressa e Ricardo Taira, editor-chefe da TV Cultura, o de Destaque Mídia Tevê. O presidente da Cebrasse, João Diniz, agradeceu a participação de todos nesta nova fase da economia brasileira, em especial no setor de serviços.
Fecho a coluna com uma historinha do Rio Grande do Norte.
O passarinho de Agenor
Quando senador pelo Rio Grande do Norte, Agenor Maria (sindicalista rural, falecido em 1997), visitando o município de Grossos, foi interpelado pelo prefeito Raimundo Pereira. "Estamos precisando de uma escola para a comunidade de Pernambuquinho". De pronto, Agenor garantiu-lhe apoio à proposição. Semanas depois, um telegrama traz a boa-nova ao prefeito. "Escola está assegurada. Mande-me o croqui". Tomado pelo espírito de gratidão, Raimundo visita Agenor para agradecer o empenho, carregando uma gaiola à mão. Diante do senador, que estranha o acessório, Raimundo vai logo se explicando. "Eu não peguei um concriz como o senhor pediu, mas trouxe esse sabiá. O bichinho canta que é uma beleza!"
(Historinha narrada em Só Rindo 2, por Carlos Santos, a quem, desde já, agradeço pela remessa dos dois livros que contam "causos" do Rio Grande do Norte).

 

 

 
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