Campo Grande, 24 de outubro de 2018

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Artigos • 22 set, 2018

Artigo: O lado bom da vida


Com as intempéries que a vida nos impõe, os nossos valores e a nossa percepção sobre o mundo entram em metamorfose. Pouco a pouco, o que antes era essencial, torna-se irrelevante e o que era irrelevante se torna essencial. A opinião dos outros vão se escoando ao limbo e a ânsia de querer acumular riqueza material vai perdendo sentido, pois, o que vale é a paz e fazer o que contenta o seu coração e daqueles que você ama.

Às vezes, quando olhamos para trás, temos a dificuldade de nos reconhecer por termos sido tão diferentes. As angústias, os arrependimentos, as decepções, as vitórias, as derrotas e as razões pelas quais as pessoas saíram ou entraram em nossas vidas, são estecas que vão dando silhueta ao nosso ser.

As nossas certezas se esvaem e com isso aprendemos a não julgar os outros. Descobrimos que algumas pessoas ficam felizes quando o seu time ganha, outras não se importam com futebol. Alguns adoram os cães, outros preferem os gatos, e há quem ojerize ambos. Uns escolhem chocolate quente no inverno gélido, outros água de coco sob o sol tórrido. E há quem sonhe com o agito da cidade grande, outros com a quietude do interior.

Desde que não seja imoral e que não ofenda o próximo, percebemos que não existe certo ou errado, melhor ou pior, o que existem são as escolhas que cada um fez em suas próprias vidas, conforme descobriram o motivo de suas felicidades. Ou seja, vidas sendo vividas. Já vi gente entusiasmado ao dar banho no seu cãozinho e outros enervados ao fazer o mesmo.

Aprendemos na prática que as aparências sempre enganam. Há muitos que vestem roupas de grife, vão a igreja e recitam versículos de cor, mas que semeiam a discórdia na própria família. Enquanto que há outros que jamais abriram uma Bíblia, tem o corpo coberto de tatuagens e cabelos desgrenhados, mas que promovem o bem e cuidam de suas famílias muito além do que uma legião de fiéis. O homem julga pela aparência, mas, ainda bem, Ele não.

Nos instantes de maior aflição de nossas vidas, percebemos que aqueles de rotina mais atribulada, sempre estarão dispostos a nos ouvir e nos acalentar. À medida que os outros, que dispõem de tempo em abundância, apenas terão ânimo de comparecerem ao seu churrasco regado de bebida boa. Quem mais tem, é o que menos pode. E o que menos tem, é o que mais pode.

Com o tempo, percebemos que o preconceito está dentro da gente e não naquilo que repudiamos. Se não gosto de quem usa estampa, o problema não é da roupa e, sim, sou eu que não consigo lidar com o que sinto. Os bens materiais, que geralmente são fontes da nossa felicidade, regressam ao seu estado de simples matéria, e não somos mais reféns do prazer de sua conquista.

Aliás, que maravilha ver alguém ter a capacidade de ser feliz plantando uma muda de árvore, em detrimento daquele que precisa postar uma foto da sua exuberância financeira para se sentir potente e expressivo.

Chegamos a conclusão de que o dinheiro é capaz de nos promover muita euforia, mas, nas maiores angústias da vida, ele se torna completamente descartável. E, então, é que nos damos conta de que ser rico não é ter bens materiais e, sim, o que de bom fertilizamos e damos viço no terreno do nosso coração e conseguimos transmitir aos nossos filhos para terem uma vida radiante e desprendida.

E o que é de mais importante, percebemos que a maior riqueza de nossas vidas é a nossa família. É uma dádiva de Deus que nos proporcionou a felicidade de formá-la, cuidá-la, protegê-la para podermos experimentar todos os sentimentos possíveis que nos tornam humanos, apontando a nossa verdadeira função nessa efêmera vida que nos foi dada por meio de um sopro.

E todo esses pontuais aprendizados, comprova-nos o quanto é possível sermos felizes com as pequenas coisas do cotidiano. Bronnie Ware é uma enfermeira americana, autora de um livro no qual ela relaciona os maiores arrependimentos de vida dos pacientes terminais. E o primeiro deles é: “Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim”.

É muito difícil encontrar a felicidade, mas é impossível tentar encontrá-la fora de si. Somente você sabe o que te faz feliz. Não se reprima em fazer algo, no receio de que “o que os outros vão pensar?”. Pode ter certeza que, desde as suas simples escolhas, você nunca vai agradar a todos. Não tenha medo de ser feliz. Aliás, como dizia o poeta: “viver e não ter a vergonha de ser feliz”.

Giancarlo Fernandes – Advogado em Campo Grande




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