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Artigos, Brasil • 11 maio, 2018

Campanha de combate à mosca azul


por Renato Terra

A Organização Mundial da Saúde inicia hoje uma campanha educativa de combate à mosca azul. “É sabido que sua picada inocula o vírus da febre ambiciosa. Seus sintomas mais comuns são o aumento do próprio umbigo, a garganta seca pelo poder, olho grande, a jactância e dores de cotovelo”, explicou Drauzio Varella.

O número alarmante de candidatos à presidência é um sintoma de que o Brasil vive uma epidemia, garante a OMS. Até mesmo em casos que pareceram regredir, como o de Joaquim Barbosa, a febre ambiciosa ainda se manifesta. “Ele sequer cogita concorrer ao Senado, à Câmara, contribuir de outras maneiras. É que a febre imobiliza a circulação de novas ideias políticas porque a vaidade toma conta do córtex cerebral como um parasita”, explicou o neurocientista Stevens Rehen.

Um grupo de cientistas se reuniu hoje para apresentar um estudo sobre os riscos que a proliferação da mosca azul pode trazer para a sociedade. “A urgente higienização legislativa fica prejudicada. Isso é grave, ainda mais em ano de eleição. O mensalão, o impeachment, o grande acordo nacional de Romero Jucá, as votações para livrar Michel Temer são sintomas de um Congresso e um Senado infestado de ratos.

E ainda há a agravante de que os anticorpos são rejeitados imediatamente pelos parasitas locais, como provou o assassinato de Marielle Franco. Se não houver um choque de higienização, com uma renovação ampla, geral e irrestrita, ficaremos à mercê de uma guerra química.

O problema é que a epidemia da mosca azul restringe o foco do eleitor apenas para as eleições presidenciais. Precisamos combatê-la”, frisou Tedros Adhanom, presidente da OMS.

Medidas práticas foram anunciadas: fumacês começarão a borrifar doses de Semancol em áreas críticas, como caixas de comentários da internet, redes sociais, grupos de Whatsapp, almoços de família e botequins. “O remédio fará com que as pessoas parem de despejar ódio, culpar os outros, e assumam a responsabilidade de buscar candidatos ao Legislativo”, completou Adhanom.

CONTADOR

Estamos trabalhando há 58 dias sem saber quem matou —e quem mandou matar— Marielle Franco. E há 518 anos sem ver um tucano preso. Eduardo Azeredo, condenado em segunda instância, está solto; um inquérito de Aécio Neves desceu para a primeira instância de Minas Gerais.

*Publicado na Folha de S.Paulo




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