Campo Grande, 18 de novembro de 2018

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Artigos, Esporte • 07 jul, 2018

Faltou um De Bruyne no Brasil (por Tostão)


Estou triste. Confesso que também me iludi, pois achava que o Brasil, apesar das deficiências mostradas na marcação do meio-campo, contra o México, venceria, pela tradição, pela qualidade dos jogadores e pelo conjunto.

A turma do oba-oba estava eufórica. Após a vitória sobre o México, nas oitavas de final, voltaram a soberba, o entendimento de que o Brasil é o país do futebol e que os maiores craques são sempre os nossos, as afirmações de que o ótimo Alisson seria superior ao magistral e gigante goleiro Courtois e que o excelente Tite é o melhor treinador do mundo, dita pelo corporativista Muricy Ramalho, além de tantos outros pachequismos.

Bélgica mudou o sistema tático, ao jogar com uma linha de quatro defensores, três no meio-campo e três na frente (De Bruyne, pelo meio, armando as jogadas, e Lukaku de um lado e Hazard de outro). De Bruyne recebia a bola livre e tocava para os endiabrados Lukaku e Hazard. A Bélgica fez dois gols e teve chances de fazer mais. Paulinho e Coutinho não marcavam e deixavam Fernandinho sozinho, que, aliás, também errou demais, quando tinha a bola. Os belgas jogaram no sistema tático idêntico ao do México. A diferença está na enorme qualidade individual dos três jogadores mais adiantados, De Bruyne, Hazard e Lukaku.

Por outro lado, a Bélgica marcava mal, com apenas três jogadores no meio-campo, além do pouco talento dos quatro defensores. O Brasil criou um grande número de ótimas chances de gol, do primeiro ao último minuto de jogo, e só fez um, por erros bisonhos na finalização e pela atuação magnífica de Courtois. A partida poderia ter terminado com uma vitória expressiva do Brasil. Seria também justo, como foi a vitória da Bélgica, pela enorme eficiência e pelos craques que tem.

Faltou um De Bruyne no Brasil. O receio que eu sempre tive de que a ausência de um craque meio-campista, que joga de uma intermediária à outra, pudesse ser um fator muito negativo se concretizou.

Tite errou quando colocou Gabriel Jesus pela direita, com Firmino de centroavante. Douglas Costa deveria ter entrado desde o início da segunda etapa. Perdeu-se um bom tempo. Neymar teve várias chances de brilhar, mas fez escolhas equivocadas.

Acabou. Mais uma decepção. Apesar de erros pontuais, o trabalho de Tite foi excelente, e ele deveria continuar, mas sem ser santificado.

*Publicado na Folha de S.Paulo




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