Campo Grande, 31 de outubro de 2020

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Artigos • 30 jan, 2020

MARCA ZEMA ( ARTIGO)


A popularidade de Romeu Zema deve-se especialmente à sintonia gerada pelo seu jeito despojado, que agradou bastante à população do interior

Das mais recentes sondagens de opinião, depreende-se que, apesar da crise assoladora de Minas, o governador Romeu Zema tem sido bem avaliado. Com uma aceitação superior à desaprovação, surpreendeu os críticos de primeira hora e as apostas de seus adversários que consideravam a “inexperiência” uma condição de insucesso imediato.

A popularidade de Romeu Zema deve-se especialmente à sintonia gerada pelo seu jeito despojado, que agradou bastante à população do interior, à classe média, aos profissionais liberais e àqueles que não vivem de Estado, mas contribuem com sua sustentação produzindo e recolhendo impostos. Não ganhou adeptos sectários, apenas simpatias e respeito. Se não ajudou, ao menos não atrapalhou, não burocratizou, não explorou o poder.

Os primeiros meses de turbulências não têm desagregado o ambiente à sua volta. Passando pelo interior, deixa no rastro a impressão de que “ele parece ser um dos nossos”. “Nossos” quer dizer “aqueles mais chegados à população comum”. Tem se mantido compreensível; não há reparo de arrogância, deslumbre, distanciamento do “normal”. Os mineiros são comedidos e preferem pessoas que mostram humildade – uma virtude que não tem faltado a Zema.

Com as mangas da camisa arregaçadas, uniforme que usa por onde passa, tem sinalizado a vontade de fazer, apesar do Estado “aniquilado”, da relação com as prefeituras sangrando pelas apropriações de repasses constitucionais que herdou e de uma folha salarial que absorve as receitas correntes de Minas quase por inteiro.

Se atrás do “sucesso” existe um segredo, Zema tem nos bastidores um planejador hábil, dedicado, proveniente da iniciativa competitiva – circunstância rara em Minas, que sempre optou por figuras criadas nas academias e sem noção da vida real. Zema escolheu uma figura que não aceita supinamente os vícios e as mazelas da máquina pública. Não se conforma com a “burrocracia” (dos burros, mesmo), que se incorporou nas últimas décadas ao presépio de Minas. Aquela força cega e incrível, capaz de asfixiar o potencial de desenvolvimento, refratária aos atrasos, ao desemprego, ao crescimento ocupacional e às perdas provocada pela sua obsolescência. Essa pessoa é uma figura discreta quanto determinada que segurou o leme do navio desgovernado e aprendeu a controlá-lo em plena tempestade.

Se, nos governos anteriores, predominava a vontade de não fazer, de empurrar para nunca a pretexto qualquer, hoje, Otto Levy, secretário de Planejamento de Minas Gerais, tem realizado competentemente a retirada das inúmeras e pesadas pedras que não deixavam chegar a soluções. Embora distante da comemoração de grandes resultados, a função reguladora do planejamento tem provocado, silenciosamente, ganhos de eficiência, economias e ajustes que prometem sucessos iminentes.

Minas, que deixou o segundo lugar de maior economia do país e tem sofrido perdas importantes de produtividade, parece estar se preparando para colher frutos importantes. Ao menos deixamos de ser notícia de desmando, de negociatas.

O ano de 2019 tem também apresentado surpresas na Assembleia Legislativa, que, com Agostinho Patrus à frente, tem se mostrado consciente de sua importância na procura de soluções que priorizam o interesse do Estado mais que o de seus deputados.

Os eleitores queriam novidades, a quebra de paradigmas, a retirada de cena da política envelhecida, voltada para si, antes que para a população. Mesmo sem ser “cassandra”, podem-se vislumbrar bons avanços, mudanças no manejo do poder que ocorreram e lançam bases positivas para 2020

Por Vitório Meddiolli – jornal O Tempo – BH




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