Campo Grande, 21 de fevereiro de 2020

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Artigos • 25 jan, 2020

O ciclo virtuoso da pontualidade (Francisco Turra)


A reunião que demora para começar. A consulta que nunca acontece na hora marcada. O amigo que chega no final da festa. A lista de exemplos da cultura do atraso em nosso cotidiano é infindável. Mas isso não é apenas sobre comportamento e vida privada; é também sobre negócios e práticas comerciais. Muito além dos minutos perdidos, esse vício contamina as relações tanto quanto nossa economia.

Observo essa chaga em minha trajetória no setor público e na iniciativa privada, há décadas participando de encontros e eventos – aqui e no Exterior. Nós, brasileiros, temos uma desvantagem competitiva em relação a países que agem com mais disciplina. As concessões que fazemos para o atraso acabam por conformar a ideia de que isso é aceitável. Tal comportamento traz implícita uma desconsideração com o outro.

Posso parecer rígido demais ao afirmar isso, mas minha experiência de vida comprova: o viciado em impontualidade não é confiável. Não se deve perder tempo com ele. Muitos culpam a gênese do brasileiro por tudo, o que justificaria o “jeitinho” e outros tantos maus costumes a nós atribuídos. Desculpem-me os conformados, mas essa não é nossa essência. Há um Brasil profundo que dá certo – que avança inclusive com base na pontualidade. Se o atraso é contagiante, a pontualidade também é.

A imagem de profissionalismo de locais como Inglaterra, Japão e Alemanha vem também do respeito aos horários e do histórico de honrar seus compromissos. Um exemplo do efeito dessa reputação é o aeroporto Salgado Filho: mesmo sem conhecer detalhes sobre a vencedora da concessão, muitos gaúchos saudaram o resultado da concorrência pelo simples fato de tratar-se de uma empresa alemã.

E, de fato, foi! Para que o círculo virtuoso da pontualidade traga ao Brasil os frutos colhidos por outras nações, é preciso valorizá-la das pequenas às grandes coisas. Valorizar essa qualidade significa elevar nossos valores. E compreender que, com respeito aos outros, podemos fazer um país muito maior e mais forte.

Francisco Turra é presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal




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