Campo Grande, 22 de outubro de 2020

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Artigos • 18 out, 2020

O partido da Covid saiu do armário


(Por Guilherme Fiuza)

Jane Fonda disse que a covid é “um presente de Deus”. A estrela do cinema americano e mundial disse mais: essa dádiva divina-viral é, segundo a diva, um presente “para a esquerda”. A declaração de Jane Fonda é muito oportuna para esclarecermos – esperamos que de uma vez por todas – um grande mal-entendido dos tempos atuais.

É o seguinte: se você é um burguês cínico e egoísta, se dizer “de esquerda” não te dá um charme altruísta, ok? Você continuará sendo só um burguês cínico e egoísta – que, no caso, torce por uma doença para se fantasiar de empático. Estamos entendidos? Para sempre? Que bom! Então agora podemos continuar a conversa mais relaxados.

Jane Fonda falou por muita gente. Dir-se-ia que a mega atriz trouxe a chave do armário – de onde agora podem sair todos esses quarentenados da empatia cenográfica. Até que enfim. Seis meses desses patrulheiros tarados chamando todo mundo de assassino estava um pouco demais. E quando alguém dizia que eles torciam pelo vírus? Tinham que simular aquela indignação torrencial, o que dá um trabalho danado e cansa a pessoa – mesmo ela estando sem fazer nada.

Acabou o problema. A elegia patológica foi assumida por Jane perante os quatro ventos, libertando essa gente hipócrita e enrustida. Podem torcer sem medo! Podem continuar fingindo que o pior está por vir para manter as escolas fechadas para sempre! Quem é que precisa de estudo a essa altura, minha gente? Todo mundo no clube da empatia já é culto, remediado e com o boi na sombra. Que nem a Jane. Escola hoje em dia é coisa pra pé rapado – essa gente que se aglomera em ônibus sabe-se lá por que, nessas cenas horríveis que felizmente não são visíveis da quarentena vip.

O coronavírus é um presente divino pra todo mundo que está com a vida ganha e só precisa manter o seu poderzinho – de preferência com bons pretextos para controlar a vida alheia se fantasiando de ético. É ou não é uma dádiva, essa Covid?

Foi molezinha fazer vista grossa para as estatísticas embaralhadas. Saiu baratíssimo jogar na conta da Covid todas as vítimas de outras doenças que pegaram coronavírus já condenadas. Contágio bom é contágio fácil, diria algum empático de Hollywood. E cada vez que alguma família denunciava atestado de óbito para Covid em parente vitimado por outras doenças, a patrulha da verdade suprema bradava: fake news! Negacionistas! Terraplanistas! Os terraparadistas tomam como ofensa pessoal qualquer desafio ao seu lockdown mental. Seita é seita.

Só não venham mais com esse papo de esquerda. Burguês egoísta é burguês egoísta – e já combinamos que agora vamos chamar as coisas pelos seus nomes. “A esquerda” como etiqueta de homem sensível, mulher consciente, intelectual empático e alma solidária está revogada pelo teorema covidal de Jane Fonda.

E agora? Agora vamos fazer a conta dos prejuízos humanos que a ditadura viral de vocês causou.

Fonte – Gazeta do Povo




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