Campo Grande, 10 de julho de 2020

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Artigos • 03 jun, 2020

O que é centrão (Delfim Netto)


Nos últimos 4 anos, o centrão foi fundamental na aprovação dos projetos para corrigir os efeitos da recessão (2014-16)

O Brasil está terrivelmente triste. A Pátria Amada corre risco de vida. Ao seu velório antecipado, compareceu todo o governo. O que deveria ser uma “reunião ministerial”, revelou-se um teatro de horror. Sua gravação demonstra uma estúpida ingenuidade política. Sua divulgação uma mancha infeliz na dignidade nacional.

Obviamente, isso não foi produzido pelo famoso “centrão”, aquele que, na simplificação acrítica do imaginário de Bolsonaro, incorporaria todos os males e impediria o exercício da política republicana. Tal afirmativa encontra resguardo no comportamento efetivo do tal “centrão” (seja lá o que ele for) nas votações dos últimos quatro anos? Não!

Vejamos. Neles, a Câmara dos Deputados, sob a presidência de Rodrigo Maia, aprovou pelo menos cinco leis (Lei do Teto, Reforma Trabalhista, Lei das Estatais, Lei das Agências, Reforma das Aposentadorias) e mitigou os exageros propostos pela administração portadora de preconceitos identitários de inspiração evangélica. Todas com o propósito de corrigir os efeitos da recessão (2014-16). E, recentemente, tem sido expedita na aprovação das medidas contra a pandemia, contra
os votos dos que se pensam “progressistas”.

É um fato incontroverso. Em qualquer república presidencialista multipartidária, regulada por um Estado democrático de Direito, se o presidente e o seu partido não obtiverem a maioria nas urnas, devem —necessariamente— ir ao Congresso procurar o seu “centrão”: um acordo com outros partidos para construí-la e dividir com eles o poder de administrar o país. Quem não reconhece esse fato como “natural” recusa a democracia.

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