Campo Grande, 25 de junho de 2019

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Artigos • 18 maio, 2019

O que mais vemos por aí é militante disfarçado de jornalista


Toda torcida futebolística em política, que toma um lado e fecha com ele, “no matter what”, é lamentável

A imprensa tem, em geral, má vontade com Bolsonaro, faz mais torcida do que análise independente, e demonstra claro viés ideológico “progressista”. Isso não é por conta de uma conspiração dos proprietários, e sim por um viés dos jornalistas mesmo, como Bernie Goldberg já apontava no caso americano décadas atrás, em seu imperdível livro Bias.

Muito do avanço do bolsonarismo depende desse ataque constante à imprensa, que seria produtora de Fake News e nada mais. É o mesmo fenômeno do Trump aqui nos Estados Unidos. E como há boa dose de verdade na denúncia, ela cola: nada que vem da “extrema-imprensa” presta, e por isso precisamos de fontes alternativas.

Entra em cena, então, a milícia virtual bolsonarista, como se fosse essa alternativa, mas apenas fazendo torcida com sinal trocado, ou seja, bajulando seu “mito” em vez de fazer análise ou trazer notícias sérias à tona. Combate-se um mal com outro ainda pior.

Afinal, foi a mídia mainstream, com todos os seus defeitos, que revelou denúncias que levaram ao impeachment de Dilma e ao debacle petista nas urnas. Há um viés sim, como já disse, mas há jornalismo também, e alguma pluralidade.

Toda torcida futebolística em política, que toma um lado e fecha com ele, “no matter what”, é lamentável. É a morte da independência. O que mais vemos por aí é militante disfarçado de jornalista, e também bolsonarista atacando a imprensa como um todo ao mesmo tempo em que demonstra escancarada parcialidade em suas “análises”, sempre protegendo o governo, o que é petismo com sinal trocado. Precisamos valorizar aqueles que efetivamente tentam fazer análises em vez de torcida contra ou a favor. Eles existem.

Por Rodrigo Constantino




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