Campo Grande, 16/05/2022

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Opinião e atitude no Mato Grosso do Sul

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Artigos • 28 dez, 2021

Os produtos encolheram e ficaram mais caros?


(Cláudio Henrique de Castro) –

A batata palha extrafina da Elma Chips teve redução de peso de 16,67%; a aveia
em flocos da Yoki, de 15%; os biscoitos da Nesfit, de 20%; a farinha de aveia integral
da Quaker, de 17,5%; a sobremesa Creamy, da Batavo, de 10%; e o refil do Omo
líquido também diminuiu 10% (Fonte: Idec).

A redução de peso deveria ser ilegal, mas não é, e pela lei essa informação deve
estar na embalagem em destaque para que o consumidor não seja induzido a erro.
Contudo, as letras são sempre pequenas e o consumidor nem percebe a cilada.

A mudança feita pelos fabricantes nas embalagens significou em alguns casos
um reajuste disfarçado de até 30% nos preços.
Resumindo: no geral, o consumidor paga mais por produtos encolhidos, com
redução do peso nas suas embalagens.

Pacote de biscoitos Triunfo de 200 para 170 gramas (g) com embalagem
diferente para induzir o consumidor a pensar que se trata de um novo produto. Papel
higiênico, Personal, Neve, Nice, Camélia e Sublime, fabricadas pela Klabin, pela
Melhoramentos e pela Santher, reduziram em 25% de 40 m x 10 cm para 30 m x 10 cm.
Extrato de tomate de 370 g para 350 g. Sardinhas de 135 g para 130 g. Papel -toalha de
70 toalhas para 60 toalhas. O sabão em pó Omo de 1 kg para 900 g, sendo que a Omo
criou uma promoção com peso e preço antigos e diz que estava dando 100 g a mais
(Fonte: Senado Federal).

Agosto de 2000, 1000 gramas de Omo custavam R$3,43, em agosto de 2001,
900 gramas custavam R$3,51 (aumento no preço em 13,7%). O papel higiênico
Personal em julho de 2001, 40 metros, custava R$1,59 e em agosto de 2001, 30 metros
saia por R$1,55 com um aumento de preço real em 30% (Fonte: Senado Federal).
Sabonetes de 100 gramas para 90 gramas e fraldas descartáveis; duas fraldas a
menos nas embalagens.

A Portaria nº 392/2021 do Ministério da Justiça e Segurança Pública, estabelece
que as mudanças de quantidade nos produtos como, por exemplo, biscoitos,
refrigerantes, itens de higiene pessoal e limpeza deverão constar nas embalagens pelo
prazo mínimo de seis meses e não mais três, como era anteriormente.

Segundo o governo, o objetivo da mudança foi minimizar o risco de o produto
ser ofertado ao consumidor, simultaneamente, em duas versões, uma delas sem a devida
declaração da redução na quantidade. Na prática, isso não significa nada.

Alguém controla se a redução da embalagem significa a redução do preço?
Não há nenhuma fiscalização a respeito dessa conta paga pelos consumidores,
nem as embalagens esclarecem a redução com a prova de que os preços também foram
reduzidos proporcionalmente, ou os anúncios de preços nas prateleiras demonstram o
preço proporcional de cada grama ou medida os produtos para o consumidor saber qual
é o produto mais barato.

O mercado é dominado por poucas marcas, todas multinacionais, que mandam e
desmandam, sem fiscalização, sem multas e com muita propaganda, por isso que a
mídia não divulga tais expedientes.




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