Campo Grande, 13 de agosto de 2020

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Brasil • 16 jul, 2018

É tempo de eleger. Quem?!


Às vezes, quedo-me a pensar: tirante as negociatas e a corrupção, o que os nossos governantes, federal e estaduais, fazem com a montanha de dinheiro que arrebatam dos pobres contribuintes?

As escolas estaduais e federais, em regra, caem aos pedaços; a grande maioria das estradas municipais, estaduais e federais encontra-se intransitável; a saúde pública é o caos que diariamente acompanhamos nos noticiários; segurança não se tem nem fechado dentro de casa – seja na Rocinha, na Vila Pinto ou no Jardim Social; multidões de desempregados formam filas inúteis em busca de um mísero salário mínimo… E a política habitacional do país?…

O tema reavivou-se na terça-feira, quando um prédio de 24 andares pegou fogo e desabou em pleno centro de São Paulo. Era prédio público, pertencente à União e abandonado pelas autoridades. Não demorou a ser ocupado (não ouso dizer habitado) e favelizado por bandos de indigentes, sob o controle de máfias como um tal Movimento de Luta por Moradia Digna (!) (MLMD), que lhes cobrava “aluguéis”. E o poder público por onde andava? Certamente, ocupado com coisas mais importantes. As próximas eleições, por exemplo.

Já disse aqui e vou repetir: o Brasil é um país do “faz-de-conta”. O governo faz de conta que governa; senadores, deputados e vereadores fazem de conta que representam o povo; o Judiciário faz de conta que julga e faz justiça; a polícia faz de conta que protege a população; os capitalistas fazem de conta que dão emprego e movimentam a economia; as escolas fazem de conta que ensinam; a imprensa faz de conta que informa; os hospitais públicos fazem de conta que dão atendimento às pessoas doentes… E por aí vai a coisa.

Aqui embaixo, na planície, nós da patuleia, por nosso turno, fazemos de conta que somos governados, representados, jurisdicionados, protegidos, empregados, ensinados, informados e atendidos. E tudo, na verdade, fica entregue às mãos de Deus – como se Ele não tivesse mais o que fazer.

Este é um ano de eleições. Poder-se-ia supor que o povo teria uma grande oportunidade de mudar o quadro existente, elegendo gente decente, bem intencionada, que se propusesse a trazer melhorias e menos sofrimento para o povo. Mas seria pura ilusão. Isso é apenas um sonho inatingível. Ludibriado pela engrenagem dominante, o eleitor elegerá os patifes de sempre. Ou outros assemelhados para lhes ocupar o lugar. E tudo seguirá “como dantes no reino de Abrantes”, como quando Napoleão resolveu invadir a Península Ibérica.

Há quem diga que a política pode ser definida como a arte de administrar os sonhos do povo. O Brasil desmente essa tese: aqui os políticos têm por missão acabar com os sonhos do povo. Prova disso está numa das celas da Polícia Federal, em Curitiba, onde a maior liderança popular dos últimos tempos cumpre pena pela prática de corrução passiva e lavagem de dinheiro.

Já faz tempo em que os sonhos do povo é o que menos interessa à classe política nacional. Aqui, os políticos têm os seus próprios sonhos, que merecem prioridade absoluta. E o povo – criaturas já identificadas como os bobos da corte – apenas servem para que aqueles objetivos sejam atingidos. Ou, como dizia o inesquecível Rubem Alves, para abrir os buracos por onde entrarão os ratos do poder público.

Como também ensinava Rubem, votos e eleições dão a impressão de democracia. Mas só a impressão, desgraçadamente, porque é aí que se encontra a fragilidade da democracia. Segundo Rubem, “para que a democracia se realize, é preciso que o povo saiba pensar”. E isso é tudo o que os políticos não querem.

Como sabem os integrantes do Grupo dos 15, que congrega o universo de leitores desta coluna, hoje sou um homem sem esperança. Não acredito que, com o pessoal que tomou conta do Brasil, haja possibilidade de mudança. No entanto, não me é lícito cortar a expectativa dos demais brasileiros.

Por isso, ouso oferecer-lhes alguns alertas, aprendidos com a vida: fuja dos salvadores da pátria; dos “novos”, que apregoam a própria inocência; dos falsos inauguradores de obras (que a cada obra inaugurada, inauguram-se a si mesmos); dos arrogantes, incapazes de enfrentar críticas e contrariedades; e, especialmente, daqueles que se comparam aos santos e acreditam que os seus pensamentos são idênticos ao pensamento de Deus.

Melhor será examinar a vida pregressa dos candidatos, conhecer o que ele já fez pelo País ou pelo Estado, descobrir com quem ele anda ou andou, ver se integra o rol de investigados, réus e condenados da Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário, e só depois – se sobrar alguém – saber dos candidatos o que eles pretendem fazer ao chegar ao poder.

Por Célio Heitor Guimarães

Fonte – Blog do Zé Beto




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