Campo Grande, 20 de julho de 2018

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Artigos, Brasil, Esporte • 24 jun, 2018

O desafio de Lionel Messi


 

Na terça-feira (26), a Argentina pode pagar todos os seus pecados de dois maus resultados e, caso vença a Nigéria, chegar às oitavas de final da Copa do Mundo. Os próprios argentinos parecem não acreditar e brincam nas redes antissociais: “Ainda não acabou. Falta perder para a Nigéria”.

Bom humor à parte, saudável capacidade de rir de si mesmo, fato é que os hermanos ainda veem uma luz no fim do túnel e sabe-se lá se esse jogo no estádio de São Petersburgo pode ser o da redenção. Diz o sociólogo argentino Pablo Alabarces, da Universidade de Buenos Aires, que os brasileiros amam odiar os argentinos e os argentinos odeiam amar os brasileiros.

Faz sentido, mas um valor mais alto se alevanta: Lionel Messi talvez tenha a última chance de ganhar uma Copa do Mundo.

Não que seja decisivo para seu lugar na história do futebol, mais do que garantido como um de seus maiores foras de série. Mas certamente fundamental para ser visto como protagonista em sua terra, de onde saiu aos 13 anos para virar um dos maiores ídolos na Catalunha.

Terá força para transformar sua pálida atuação na acachapante derrota por 3 a 0 para a Croácia em ressurreição diante dos africanos? O colunista é exceção e ama amar a escola argentina de jogar futebol, além do tango, da literatura e de Buenos Aires.

Por isso torcerá para a permanência de Messi e companhia, e caso isso seja impossível, não terá problema algum em repetir o jornalista Fernando Calazans sobre Zico: “Messi jamais ganhou uma Copa do Mundo? Azar da Copa do Mundo!”.

Sem esquecer que a régua que mede Messi em seu país é ninguém menos que Diego Armando Maradona.

Sem esquecer, também, que, embora Zico seja o maior ídolo da maior torcida do Brasil, o que não é pouco, muito ao contrário, o fato de não ter sido campeão mundial pela seleção o coloca abaixo de Rivellino, Romário, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho na escala dos maiores jogadores brasileiros, ficando aqui apenas nos gênios que começam com R, porque Pelé, Garrincha, Didi estão também em outro nível.

Porque o futebol é assim: curte o desempenho, mas exige o resultado.

Se Messi fizer parte da turma que tem Zico, Falcão, ou Cruyff e Cristiano Ronaldo, haverá quem diga que ele não foi tudo isso. E foi. Aliás, foi mais, muito mais que tudo isso. É gênio!

JUCA  KFOURI

*Publicado na Folha de S.Paulo




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