Campo Grande, 19 de setembro de 2018

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Campo Grande • 13 set, 2018

Criminosos lucraram R$ 67 milhões, diz PF


As investigações da Operação Vostok, da Polícia Federal (PF), apontam que o grupo participante do esquema criminoso de pagamento de propinas em troca de incentivos fiscais a frigoríficos do JBS em Mato Grosso do Sul, lucraram R$ 67,7 milhões.

O prejuízo total gerado ao Estado foi de R$ 209,7 milhões. Os valores estão revelados no despacho do ministro Félix Fisher, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a operação, ao qual o Diário Digital teve acesso. Os investigadores apontam que os crimes investigados são complexos e de difícil apuração, notadamente no que diz respeito ao rastreamento dos recursos pagos pela empresa.

“A primeira parte do fluxo financeiro está delineada (doações oficiais, dinheiro em espécie, e pagamento de notas fiscais), entretanto, a segunda parte desse fluxo, ou seja, a forma como esses valores, possivelmente, ingressavam na esfera patrimonial do governador Reinaldo Azambuja, ainda não está clara, não sendo descartada a participação de outras pessoas,  e até mesmo de outros mecanismos de lavagem de dinheiro ainda não identificados”, afirma a PF em texto citado pelo ministro do STJ.

Apesar de ser tido como o chefe do esquema, Reinaldo Azambuja não teve a prisão decretada. O ministro preferiu evitar “prejuízos sociais e econômicos” e de “governabilidade do Estado” que a prisão dele poderia causar. A prisão foi decretada para o filho de Reinaldo, Rodrigo Souza e Silva e outras 13 pessoas, entre empresários, pecuaristas e políticos, integrantes do esquema de corrução. A Operação Vostok tem como base os depoimentos em delação premiada dos proprietários da JBS Wesley e Joesley Batista.

Os irmãos relataram a existência de esquema de corrupção por meio dos Termos de Acordo de Regime Especial (Tares) relativos ao pagamento do ICMS. Segundo eles, incentivos fiscais eram concedidos aos frigoríficos do grupo instalados em MS mediante pagamento de propinas. Conforme os delatores, o esquema começou na gestão de Zeca do PT, sendo mantido por seus sucessores André Puccinell (MDB) e Reinaldo Azambuja. Notas frias eram emitidas para mascarar o pagamento do suborno.

Foto – Luciano Muta

Diário Digital – Valdelice Bonifácio

 




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