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Política

Política • 29 out, 2018

O time de Bolsonaro


Generais em ministérios importantes e um ultraliberal no comando da Economia: o presidente eleito Jair Bolsonaro terá em janeiro um gabinete formado em sua maioria por homens sem experiência política.

O capitão do Exército na reserva quer reduzir de 29 para 15 o número de ministérios e não pretende estabelecer uma coalizão com base em troca de cargos.

“Temos a sinalização que Bolsonaro vai tentar reinventar o presidencialismo de coalizão que temos no país. E esse será seu maior desafio”, afirma Marcio Coimbra, coordenador da Pós-Graduação em Relações Governamentais da Universidade MacKenzie, em Brasília.

O governo incluiria quatro ou cinco generais, de acordo com Gustavo Bebianno, presidente do Partido Social Liberal (PSL) e possível ministro da Justiça.

Bolsonaro tenta apresentar “uma imagem de ordem, mas pode ter dificuldades na interlocução com o Congresso”, afirma o cientista político Geraldo Monteiro, coordenador do Centro Brasileiro de Estudos de Pesquisas sobre Democracia (Cebrad) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

A seguir alguns dos homens que devem integrar o governo Bolsonaro:

Bolsonaro admite que não entende de economia, mas afirma que confiará o ministério da Fazenda a Paulo Guedes, um economista de 69 anos formado no liberalismo da Universidade de Chicago.

Guedes pode se tornar um “superministro”, no comando das pastas da Fazenda, Indústria e Comércio, Planejamento, além da secretaria de Investimentos Públicos. Seu credo: privatizar para reduzir a dívida pública.

Após a vitória de Bolsonaro, ele prometeu “mudar o modelo econômico do país”, com privatizações e um controle mais estrito das finanças públicas.

Parlamentar há mais de 20 anos, primeiro na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (1995-2002) e depois na Câmara Federal, Lorenzoni, 64 anos, é considerado o cérebro da campanha de Bolsonaro. É filiado ao partido Democratas (DEM) e reconhecido por iniciativas de combate à corrupção.

“Ele tem uma grande experiência no Parlamento, sabe como funciona”, assegura Coimbra.

Nos últimos anos, ficou conhecido por ter sido o relator de um projeto de lei anticorrupção.

Augusto Heleno Ribeiro tem a admiração de Bolsonaro. O general foi seu instrutor na Academia Militar nos anos 1970 e deve ser seu ministro da Defesa.

O oficial da reserva, que foi comandante da Missão da ONU no Haiti (Ministah), poderia ter sido vice-presidente de Bolsonaro, mas o Partido Republicano Progressista, ao qual é filiado, rejeitou a indicação.

Ex-chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército, o general Oswaldo Ferreira, 64 anos, é mencionado como possível ministro dos Transportes. Foi o responsável por elaborar o programa de campanha de infraestrutura e meio ambiente.

Em uma entrevista recente ao jornal O Estado de S.Paulo, citou com nostalgia a época em que construía estradas na Amazônia, durante a ditadura militar (1964-85). “No meu tempo, não tinha MP e Ibama para encher o saco”, disse.

Piloto de caça e astronauta, Marcos Pontes, 55 anos, foi o primeiro brasileiro a viajar ao espaço, em 2006, a bordo do foguete Soyuz, que o levou à Estação Espacial Internacional (ISS), onde passou uma semana.

Considerado um herói nacional, o astronauta poderia se tornar Ministro da Ciência e Tecnologia em um governo de Bolsonaro.

Blog do Fabio Campana




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