Campo Grande, 15/10/2021

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Artigos • 30 ago, 2021

Painéis solares residenciais


(Por Mario Eugênio Saturno) –

Não bastasse a crise sanitária, ainda teremos uma gravíssima crise energética

No meu artigo anterior “Atravessaram o Rubicão” (publicado na edição de 18/8), abordei superficialmente os fracassos da equipe econômica liderada por aquele que o Baby Sauro chamaria “não é o Meirelles”. Com uma inflação assustadora, puxada pelos aumentos do diesel e da gasolina, 51% e 40% respectivamente, neste ano, justo agora que temos um “governo honesto”, não é excelentíssimo? E se não bastasse a crise sanitária que os pensadores ministeriais calcularam que haveria 800 mortes, mas chegaremos a 800 mil mortos, com a passividade de políticos e povo, ainda teremos em dezembro uma gravíssima crise energética.

Da mesma forma que a Covid-19 é uma doença evitável com custo altíssimo por causa da incompetência inacreditável, o mesmo acontece com a crise energética que é por causa da crise hídrica, que no Brasil é causada pela morte das nascentes pela ganância dos agricultores e pela estupidez dos fiscais do poder público e pela destruição dos rios aéreos da Amazônia. Cada milhão de árvores centenárias cortadas causa redução significativa de abastecimento aéreo de água para as regiões brasileiras do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

A equipe incompetente só pensa em termelétrica, quando deveria considerar outras opções que não exigem grandes investimentos governamentais, como a cogeração das usinas de álcool e açúcar. Só o Estado de São Paulo tem 400 usinas que podem gerar eletricidade usando o bagaço da cana, um potencial de mais de 12 GW. Isso equivale a nove usinas nucleares do tipo Angra 2. E a geração dessa energia ocorre no período da seca… O que acontece com a mente inepta de nossos políticos?

Outra solução é a instalação de sistemas solares em residências e pequenas empresas, potencial gigantesco, mas que necessita de financiamento. Um sistema de geração on-grid de 1,8 kW custa R$ 7 mil reais. Se o governo usar os bancos federais para financiar 10 mil sistemas por dia nos próximos 100 dias, teremos um milhão de sistemas instalados, ou 1,8 GWpico instalados. Como cada sistema gera 63% (segundo minha simulação) no máximo em dias ensolarados, teremos um potencial de geração de pouco mais de 1 GW por 12 horas.

Eu ia patentear, mas desisti, um projeto para aproveitar melhor os inversores. Daqueles R$ 7 mil, um inversor on grid custa mais de R$ 3 mil, assim, com menos de R$ 4 mil a mais, instala-se o dobro de coletores aumentando a coleta para 95% (na minha simulação), ou seja, 50% a mais de energia elétrica daquele sistema. O projeto é simples, basta dispor cada duas placas a formar um prisma regular, com ângulo interno de 60º. Essa disposição vai gerar 100% de potência às 8h (só painel leste), 12h (metade do painel leste e metade do painel oeste) e 16h (só painel oeste). Não custa lembrar que o cosseno de 60 graus é 0,5.

É muito interessante colocar os bancos oficiais para atuarem nessa área de financiamento de sistemas solares, mas ainda poderiam incentivar e administrar consórcios. E não nos esqueçamos dos impostos federais e estaduais que impactam os custos, um serviço de articulação para senadores e deputados federais e estaduais.

Mario Eugenio Saturno – Possui graduação em Bacharel Em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São Carlos(1984).

Fonte – Diário da Região ( São José do Rio Preto)




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