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Opinião e atitude no Mato Grosso do Sul

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Artigos • 23 maio, 2026

Porto Esperança tem petróleo


Porto Esperança é um distrito do município de Corumbá, e foi durante alguns anos, o
ponto final da linha ferroviária Noroeste do Brasil; isto porque a ponte ferroviária ain-
da não estava concluída. As composições de cargas e passageiros tinham nesse distrito
a sua parada e os passageiros com destino a Corumbá, bem como as cargas, seguiam
pelo Rio Paraguai, através de navios que faziam a linha regularmente, com isso, o dis-
trito era dotado de toda infraestrutura necessária a esse transbordo.

Havia um destacamento do Exército, uma Capitania dos Portos comandada pela Mari-
nha de Guerra; agência dos correios, Mesa de Rendas (atualmente Posto da secretaria
de fazenda); escritório da empresa marítima e estatal Bacia do Prata, Posto Policial, e
um serviço de telégrafos da NOB que atendia também a população. Duas escolas de
primeiro grau (até a 3ª série primária), uma pista de aviação para pequenas aeronaves
além de dois armazéns de secos e molhados. Não poderia faltar a Igreja Católica, cujo
padre se deslocava de Miranda para rezar a missa de domingo.

Como ponto final da ferrovia noroeste do Brasil, e, para dar continuidade para que as
cargas chegassem ao destino final, eram necessários os profissionais denominados es-
tivadores, que trabalhavam em turno de seis horas, fazendo com que o distrito tivesse
uma movimentação inemterrupta durante as 24 horas do dia. O mesmo ocorria com os
manobristas das composições da NOB. Os moradores eram acostumados com o apito
das máquinas e os ruídos de engates e desengates dos vagões.

Porém, algo chamava atenção de quem ali vivia ou transitavam: uma torre metálica de
cerca de cinco ou seis metros de altura. Poucos sabiam explicar para que servia, porém
as pessoas mais antigas explicavam que se tratava de uma torre para exploração de
petróleo, erguida naquele local no início da década de 1940 por uma empresa norte-
americana, que após a perfuração do poço, constataram a presença de um líquido de
cor escura que possivelmente seria petróleo. Infelizmente, eclodiu a segunda guerra
mundial, e o poço foi lacrado por uma camada de concreto, e os funcionários, técnicos
e engenheiros americanos foram embora.

Os moradores se aproveitavam do líquido que vasavam, e os utilizavam para suas lam-
parinas, pois ali não havia luz elétrica. Sabe-se que ouve tentativas de uma empresa
nacional de dar continuidade a pesquisa, uma delas foi Monteiro Lobato que chegou a
instalar um escritório em Corumbá, em cuja fachada do imóvel, havia uma placa com
os seguintes dizeres: Companhia Matogrossense de Petróleo. Porém, ele tentou por
todos os meios obter licença do Senado para levar a cabo seu intento, sendo vencido
por um fortíssimo loby em favor da empresa norte-americana.

Posteriormente, já como Mato Grosso do sul, um estudo realizado pela Petrobras via
satélite, veio confirmar a presença do ouro negro, não apenas em Porto Esperança,

mas, em municípios do Bolsão, e, pasmem, no município de Campo Grande. Está na
hora de nossas autoridades mexer os pausinhos, e quem sabe, acreditando que elei-
ções fazem milagres, poderemos transformar Porto Esperança num pólo industrial de
petróleo.

BENEDITO RODRIGUES DA COSTA
Economista




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