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Artigos • 27 maio, 2026

A Inteligência Artificial sob o olhar da Igreja


(Cláudio Henrique de Castro) –

A encíclica do Papa Leão XIV, "Magnifica Humanitas" publicada em 25
de maio de 2026, aborda o avanço da Inteligência Artificial (IA) sob a ótica da
Doutrina Social da Igreja.

O documento entende que a inteligência artificial não é moralmente
neutra, pois todo sistema técnico carrega escolhas, prioridades e critérios que
afetam a percepção da realidade.

A IA apenas imita e simula funções da inteligência humana, ela processa
dados em alta velocidade, mas carece de corpo, consciência moral,
experiência de vida, capacidade de amar e discernimento interior sobre o bem
e o mal.

A tecnologia deve ser tratada estritamente como um instrumento
complementar, e nunca como um substituto das relações humanas ou da
sabedoria espiritual.

A encíclica proíbe veementemente que decisões letais ou irreversíveis
em conflitos armados sejam delegadas a sistemas automatizados.
Embora reconheça que a IA possa aliviar tarefas repetitivas, o texto
condena a eliminação de postos de trabalho em nome do lucro e da redução de
custos, exigindo que o desenvolvimento digital foque na pessoa e não apenas
no desempenho de funções.

Há uma forte advertência contra ferramentas geradoras de imagens,
textos e vozes artificiais realistas (deepfakes), apontando o risco de
manipulação social massiva.

Alerta para o consumo excessivo de energia e água necessários para
sustentar a infraestrutura algorítmica.

Condena a concentração do poder tecnológico nas mãos de poucas
empresas privadas (Big Techs), alegando que a falta de transparência e a
opacidade dos algoritmos geram novas formas de dependência e exclusão.

A encíclica apela por marcos legais globais robustos e supervisão
pública independente. Defende expressamente que a propriedade dos dados
seja regulamentada e não fique sob domínio exclusivamente privado.

Leão XIV defende que desacelerar o ritmo de adoção da IA quando
houver riscos não é ir contra o progresso, mas sim um ato de prudência e
cuidado responsável para com a família humana.

Em conclusão, com efeitos devastadores em alguns segmentos do
trabalho e da dignidade humana, precisamos urgentemente um marco
regulatório para esta nova ferramenta tecnológica.




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