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Artigos • 13 abr, 2026

Liturgia da ternura: celebremos o beijo que nos humaniza


No calendário, o 13 de abril se abre como um sopro de ternura: o Dia Internacional do Beijo. E como não transformar essa data em metáfora viva, em música de palavras, em indagação que nos atravessa?

Quem não se lembra do primeiro beijo – tímido, trêmulo, quase um segredo entre lábios e coração? Quem não se lembra da brincadeira de criança, perra, uva, maçã, em que o beijo era promessa, riso, descoberta? O beijo é memória que se repete em cada idade, é rito de passagem, é ponte entre o eu e o outro.

Há quem diga que o beijo é apenas gesto. Mas não: é linguagem. É poema sem papel, é música sem partitura, é dança sem palco. É o instante em que o mundo se suspende, e o tempo se curva para caber dentro de dois lábios.

E além de tudo, a ciência nos sussurra que o beijo reduz o estresse, acalma o corpo, aquece a alma. Ora, então não deveríamos beijar mais? Beijar como quem celebra, como quem agradece, como quem se reconcilia com a vida.

Porque o beijo, afinal, é ética da ternura. É a delicadeza que nos humaniza. É o gesto que, ao mesmo tempo, nos devolve à infância e nos projeta ao infinito.

Hoje, mais do que nunca, beijar é lembrar que estamos vivos.

Rio de Janeiro, 13/04/2026.

Adgerson Ribeiro de Carvalho Sousa




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