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Artigos • 21 abr, 2026

O endereço da liberdade


21 de abril. Tiradentes. O alferes que ousou morder a mão que o chicoteava. Não foi mártir por vocação, mas por consequência: a corda no pescoço é o selo que o Estado imprime quando a liberdade ameaça sua contabilidade.

O processo jurídico contra ele foi uma ópera bufa: tecnicamente impecável, eticamente podre. A lei, como sempre, vestida de toga para encobrir a nudez da política. Filosoficamente, Tiradentes é o paradoxo vivo: morto para que a ideia sobrevivesse.

E aqui jaz a ironia: o Império acreditou que enforcava um homem, mas apenas pendurou um símbolo. O corpo virou pó, mas o sarcasmo histórico permanece: o poder sempre subestima a alquimia da linguagem, a força simbólica, a chave interpretativa, a magia da analogia, a luz da comparação, sumariamente: o poder da metáfora.

Celebrar Tiradentes no dia 21 de abril, é rir da ingenuidade dos tiranos e chorar da perseverança dos opressores. É lembrar que a liberdade não se decreta, se arranca. E que, no fundo, o alferes não morreu – apenas mudou de endereço: habita cada vez que alguém ousa dizer não.

Rio de Janeiro, 20/04/2026
Adgerson Ribeiro de Carvalho Sousa
– Advogado




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