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Crônica

Crônica • 30 nov, 2025

Palmeiras: crônica de uma morte anunciada


Do correspondente esportivo –

No futebol, o passado passa mais depressa. Vira logo história e estatística.
Qual é o quadro, a aquarela verde de 2025? O Porco perdeu o Paulista em casa para o Corinthians, caiu fora cedo da Copa do Brasil, levou um enorme chocolate na Libertadores e vai perder o Brasileirão na semana que vem.
É a crônica de uma morte anunciada. Os jogadores não têm culpa. Leila, a Miss Crefisa, pensa que avião
faz gol. Abel, sim, errou. Deu muito espaco no meio de campo, deixou buracos entre os três zagueiros, escalou o lento reserva Veiga, fez de Andreas um biruta de borracharia, tirou Allan, não aproximou Flaco de Tigrinho, arregaçou com a cobertura do lado esquerdo, deixando Piquerez sozinho com três rubro-negros em cima fazendo “um dois”: Varela, Jorginho e Carrascal. Esse foi, aliás, o erro fatal: o Flamengo encurralou o jogo do lado esquerdo da defesa do Palmeiras, entortou, segregou e sufocou a saída estratégica de Piquezez. Sem meio de campo, com os trapalhões Didi Mocó, Dedé e Mussum perdidos ali no centro, e sem o escape de um Marcos Rocha do passado pela direita, o Porco subiu no telhado e começou a atirar pedra em avião. Não sei se o da Leila. Só se defendeu. E porcamente.
Perdeu pra quem?
O argentino Simeone.
Esse foi o mestre de Felipe Luiz por anos na Espanha.
E Simeone então é a régua,
o status, o limite máximo do nível técnico do futebol brasileiro.
Entendeu pq veio Ancellotti?
O falastrão Abel é um cruzamento atípico de Martim Francisco com Yustrich. Um técnico mediano e cheio de manias. Metido a sabe tudo. Arrogante. Às vezes truculento. Xenófobo. Chegou com duas ou três ideias, que deram certo por um tempo, e muita sorte com bola parada, lances decisivos de gol em acréscimos e apitos amigos.
Ou seja: de futebol mesmo, pouco.
Um dia, como disse mestre Gentil Cardoso, ia dar zebra.
A velha zebrinha do Borjalo e do Fantástico agora canta pra ele.
E deu um zebrão.
Porém, esse roteiro era esperado, previsível para quem é de fato do ramo. E não uma legião de torcedores imberbes de microfone e laptop na mão.
A síntese de Abel é uma rima com Penafiel.

(Blog do Zé Beto) –




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