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Política • 29 maio, 2026

Riedel apoia classificação de facções como terroristas e defende reforço federal nas fronteiras de MS


©DIVULGAÇÃO –

O governador Eduardo Riedel (PP) afirmou nesta sexta-feira (29) que considera “bem-vinda” a decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A declaração foi dada durante evento realizado no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.

A manifestação ocorreu um dia depois de o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciar o enquadramento das duas facções brasileiras como organizações terroristas internacionais. Para Riedel, qualquer medida que contribua para o enfrentamento ao crime organizado deve ser considerada importante.

Tudo que soma no combate é importante”, afirmou o governador.

Ao comentar a decisão norte-americana, Riedel destacou a condição geográfica de Mato Grosso do Sul, que faz fronteira com Paraguai e Bolívia. Segundo ele, essa posição coloca o Estado em uma realidade específica no combate ao tráfico internacional e à atuação de grupos criminosos.

Nós temos aqui uma fronteira com o Paraguai e Bolívia. O PCC e o Comando Vermelho já são organizações internacionais”, declarou.

O governador defendeu que a principal resposta interna deve partir do governo federal, com reforço das ações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e dos setores de inteligência federal nas regiões de fronteira.

O governo federal deve reforçar essas ações, principalmente da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, das forças de inteligência federal nas fronteiras. A gente vem cobrando muito isso do governo federal. Falta efetivo, falta estrutura para que a gente tenha maior efetividade”, disse.

Segundo Riedel, as forças estaduais atuam de forma integrada com órgãos nacionais, mas a presença federal precisa ser ampliada para impedir que organizações criminosas utilizem Mato Grosso do Sul como rota estratégica do crime organizado.

O governador também afirmou que o Estado tem adotado uma postura firme contra tentativas de instalação de facções, especialmente na região norte de Mato Grosso do Sul. De acordo com ele, as forças de segurança estaduais têm atuado para impedir o avanço desses grupos.

Aqui a gente tem uma ação muito firme. A presença de qualquer organização criminosa no Estado é combatida com mão firme. Vocês estão vendo aí o enfrentamento no norte. Não estamos deixando essas facções se instalarem aqui. Elas estão buscando esse espaço, mas não estamos deixando”, afirmou.

Ao tratar do controle territorial, Riedel disse que não há áreas em Mato Grosso do Sul dominadas por facções criminosas. O governador afirmou que o Estado não permitirá a formação de regiões onde o poder público não consiga atuar.

Nós vamos ser intransigentes, já somos e continuaremos a ser. O enfrentamento ao crime organizado deve ser feito de maneira muito firme, para a gente não perder território onde o Estado não possa chegar”, declarou.

Em seguida, reforçou que o governo estadual mantém presença em todo o território sul-mato-grossense.

A gente não tem isso no Estado. Em qualquer lugar do território sul-mato-grossense nós temos domínio. Nós não vamos perder esse domínio para facção criminosa”, afirmou.

Apesar de apoiar a medida dos Estados UnidosRiedel avaliou que a decisão não deve gerar, no curto prazo, uma ação direta em Mato Grosso do Sul. Na análise do governador, os norte-americanos já mantêm forte atuação no Paraguai e devem concentrar novas iniciativas naquele país.

Eu não acredito nisso no curto prazo. Os Estados Unidos já têm uma ação muito forte no Paraguai e acho que vão implementar especialmente em cima dessas organizações criminosas”, disse.

A decisão norte-americana amplia o alcance de sanções financeiras, restrições e medidas de bloqueio contra pessoas, empresas ou estruturas apontadas como ligadas ao PCC e ao Comando Vermelho.

No Brasil, o tema gera debate entre autoridades e especialistas. Parte avalia que a classificação pode fortalecer o combate ao financiamento do crime organizado. Outra parte vê risco de tensão diplomática e de abertura para questionamentos sobre interferência externa em temas de segurança pública nacional.

Em Mato Grosso do Sul, a posição do governador é de apoio à medida, desde que acompanhada de mais presença federal, integração entre forças de segurança e respeito às competências institucionais brasileiras




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