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Artigos • 25 abr, 2026

Labirinto da Influência e a Legitimidade Eleitoral


Introdução – 
A democracia é um ritual de escolhas. Cada voto é um fio de Ariadne que nos guia pelo labirinto das paixões, interesses e narrativas. Mas quando influenciadores digitais se tornam catalisadores de tendências, o risco é que esse fio se enrede em mãos invisíveis, transformando espontaneidade em propaganda disfarçada. O desafio contemporâneo é conciliar a liberdade de expressão com os limites constitucionais e legais que asseguram a igualdade de condições na disputa eleitoral.

O Marco Constitucional e Legal
A Constituição Federal consagra a soberania popular e a igualdade de oportunidades entre candidatos. A legislação eleitoral, em consonância com esses princípios, estabelece limites claros: criadores de conteúdo não podem ser contratados ou pagos para fazer propaganda de candidatos; “publis” pedindo votos são proibidos; manifestações pessoais não podem ser impulsionadas nem monetizadas. Apenas candidatos, partidos e coligações podem realizar impulsionamento de propaganda eleitoral, utilizando canais oficiais.

Essa arquitetura normativa busca preservar a autenticidade do processo democrático, impedindo que o poder econômico distorça a livre formação da vontade política. O fio da legitimidade, portanto, é tecido pela transparência e pela ética.

A Zona Cinzenta da Influência
O cenário digital cria uma zona cinzenta: distinguir o que é opinião espontânea do que é propaganda velada é tarefa árdua. Influenciadores podem manifestar apoio ou crítica como cidadãos, mas a linha entre manifestação legítima e publicidade oculta é tênue. Perfis pessoais e páginas empresariais, memes e agências de marketing, todos podem se tornar corredores escuros nesse labirinto.

O desafio da Justiça Eleitoral é iluminar esses caminhos, distinguindo o que é manifestação legítima do que é manipulação velada. A legitimidade não é apenas norma jurídica: é confiança social, é ética em movimento.
Pessoa Física x Pessoa Jurídica

A distinção entre pessoa física e pessoa jurídica é crucial. Influenciadores, como indivíduos, podem se manifestar espontaneamente. Já páginas empresariais e agências digitais, que funcionam como empresas, estão proibidas de fazer campanha eleitoral e de doar recursos a candidaturas. A monetização de conteúdo, legítima em outros contextos, torna-se ilícita quando aplicada à propaganda política.

Essa vedação busca impedir que estruturas empresariais, com poder econômico e alcance massivo, desequilibrem o jogo democrático. A igualdade de condições entre candidatos é princípio estruturante da legitimidade eleitoral.
O Papel do TSE e das Plataformas

O Tribunal Superior Eleitoral tem investido em campanhas educativas para orientar o eleitor, como a websérie “V de Verdade” e a série “IA acreditando”. Também firmou parcerias com plataformas digitais, como Google, Tuitter, WhatsApp, Kwai e Meta, para combater a desinformação e fortalecer a educação midiática.

Essas iniciativas são fundamentais para que o eleitor segure firme o fio de Ariadne, desconfiando das sombras e buscando a clareza. A educação midiática é antídoto contra a manipulação, fortalecendo a autonomia cidadã.

O Modelo das Agências de Marketing

As agências de marketing digital, legítimas no ambiente comercial, podem se tornar instrumentos de opacidade no contexto eleitoral. Ao intermediar o contato entre marcas e criadores de conteúdo, dificultam a identificação de quem está por trás das mensagens políticas. O caso do banco Master, investigado por contratar influenciadores para atacar o Banco Central, ilustra como esse modelo pode ser usado de forma ilícita.

No labirinto da influência, as agências podem ser Minotauros ocultos, devorando a transparência e a confiança pública. O desafio é desvelar essas teias de intermediação, garantindo que o eleitor saiba quem financia e direciona a comunicação política.

Conclusão
A legitimidade eleitoral é um fio delicado, que precisa ser protegido contra os atalhos ilegítimos da propaganda disfarçada. O voto é o fio que nos conduz, e cabe a cada cidadão segurar firme, desconfiar das sombras e buscar a clareza. Não como donos da verdade, mas como cidadãos esperançosos que desejam ver o Brasil seguir o rumo ideal: progresso com transparência, desenvolvimento com justiça, e boas práticas de gestão como hábito e promessa.

O labirinto da influência só será vencido se mantivermos a ética como guia e a Constituição como mapa. Assim, poderemos transformar o ritual das escolhas em caminho luminoso para o futuro do nosso país.
Rio de Janeiro, 25/04/2026

Adgerson Ribeiro de Carvalho Sousa


Um Comentário

  1. Leonard Rodrigues da Silva disse:

    Artigo perfeito, em que os papéis institucionais e dos sujeitos no processo eleitoral ficam esclarecidos à luz da Lei.



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