Campo Grande, 27/07/2021

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Artigos • 31 maio, 2021

Nem Lula nem Bolsonaro


(por Eduardo Affonso O Globo )

A via-crúcis da terceira via

Bolsonaro é a segunda pior coisa que já aconteceu ao Brasil. A pior foi Lula, que, além de tudo, nos legou Bolsonaro — uma “herança maldita” que corre o risco de se prolongar por mais quatro anos. O ex e o atual presidente se tomam mutuamente como antimodelos (no popular, como bicho-papão). Mas se retroalimentam: um é o esmeril onde o outro afia as garras.Lulopetismo e bolsonarismo, hoje apresentados como os únicos caminhos politicamente viáveis, estão longe de ser simétricos, mas não são assim tão antagônicos. Vão dar no mesmo lugar: a negação da política, o desprezo pelo diálogo.

A expressão “terceira via” não ajuda muito. Ficou marcada como um Frankenstein com cérebro de capitalista e coração socialista. Mas aqui nomeia algo que nos liberte de um círculo vicioso, de uma espiral de hostilidade que torna a cada dia mais difícil desfazer o nó do “nós x eles”. Conseguimos não nos unir nem mesmo diante de uma pandemia que já matou quase meio milhão de brasileiros — ao contrário, encontramos nela combustível para nos afastar ainda mais.

Terceira via (ou quarta, ou quinta) não é a média aritmética dos extremos: é um vasto campo de possibilidades. Não é um muro sobre o qual os indecisos se acomodam para não tomar partido: é de onde se pode ver quão próximas estão as pontas da ferradura — e escolher não estar em nenhuma delas. É rejeitar a estridência das militâncias e optar por um sistema em que todas as vozes sejam ouvidas. No lugar do “um manda, o outro obedece”, escolher a argumentação e o convencimento.

Construir uma terceira via significa sair do simplorismo do branco ou preto e contemplar a complexidade de uma escala Pantone inteira. Buscar a pluralidade e escapar da “alternância de poder” entre um Centrão comprado pela esquerda mais venal e o mesmo Centrão aliciado pela direita mais torpe. Continue lendo 




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