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Artigos • 30 abr, 2026

O direito ao ócio


(por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica) – 

Sexta-feira, o calendário nos dá uma trégua. O 1º de maio chega como um respiro necessário. É o Dia da Trabalhadora e do Trabalhador, e esse feriado emendado traz aquela sensação boa de que, por alguns instantes, a gente não está preso ao relógio.

Mas este ano, o feriado tem um gosto diferente. A discussão sobre a escala 6×1 finalmente ganhou corpo. Para quem não está por dentro, é aquela rotina pesada de trabalhar seis dias para folgar apenas um — um dia que, vamos falar a verdade, mal dá para colocar a casa em ordem e pagar os boletos, quanto mais para descansar de verdade.

Em Brasília, já foi aprovada a Proposta de Emenda Constitucional, PEC, que prevê a redução de jornada sem mexer no salário. Uma Comissão Especial para discutir o fim dessa jornada já saiu do papel. O que está em jogo aqui é o direito de ter vida própria. Ter dois dias de folga não é luxo; é a chance de ter tempo para o que realmente importa. É poder ver o neto crescer, torcer pelo Flamengo sem olhar para o despertador ou simplesmente praticar o sagrado ato de bundar — sim, do verbo não fazer absolutamente nada, sem culpa nem pressa.

O descanso não é um favor do patrão ou um dia a menos de trabalho. É um direito à dignidade. Que a escala 6×1 vire peça de museu, para que o nosso cotidiano seja o direito de escolher o que fazer. Sem pressa, sem escala e, finalmente, com todo o tempo do mundo para fazer o que dê na telha!

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio-dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
— Cotidiano (Chico Buarque)




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