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Opinião e atitude no Mato Grosso do Sul

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Artigos • 12 jul, 2025

Resposta à uma carta bomba


Ao Excelentíssimo Senhor Donald J. Trump,

Prezado Senhor Presidente,

Acusamos a chegada de vossa correspondência ao Brasil.
Permita-nos, desde já, manifestar nossa consideração pelo gesto de comunicação direta, ainda que seu conteúdo suscite reflexões relevantes quanto ao tom e à substância apresentados.
Recebemos vossa carta com a mesma expressão facial que um boi faria diante de um disco voador: um misto de confusão, espanto e a certeza de que algo muito estranho está acontecendo, mas sem saber bem o quê.
Confessamos que vossas palavras nos provocaram um raro acesso de admiração. É preciso um talento fora do comum para combinar, num só texto, a diplomacia de uma marreta, o senso histórico de uma cenoura e a gramática de um tweet redigido por um bêbado às três da manhã.
O senhor menciona que respeita muito Jair Bolsonaro. Ficamos felizes em saber que o clube dos ex-presidentes com problemas judiciais continua firme em sua solidariedade mútua. A amizade entre os senhores, aliás, deveria ser objeto de estudo pela ONU. É um notável exemplo de afeição entre líderes que confundem direito à manifestação com licença para dizer qualquer baboseira em voz alta.
Agora, sobre essa vossa generosa oferta de nos cobrar 50% de tarifa em tudo que respirar com sotaque brasileiro, ficamos emocionados com tamanha consideração.
Que gentileza. Lembra assalto à luz do dia, mas com papel timbrado e aperto de mão. Quem diria que o protecionismo do século XXI teria cara de reality show?
Apreciamos especialmente o trecho em que o senhor sugere que, caso abramos nossos mercados, a punição talvez diminua. Isso nos lembrou aquele agiota da esquina que dizia: “Me paga agora ou eu quebro só uma perna.”
Permita-nos também observar, com todo respeito, que vossa preocupação com a permissão para opinar no Brasil é tão genuína quanto uma dieta à base de pastel de feira e milkshake. Quando foi que um bilionário narcisista passou a defender a democracia alheia com tanto ardor? Será essa a versão tropical da Doutrina Monroe, agora com filtro laranja?
Em suma, senhor Trump: se vossa carta foi uma tentativa de diplomacia, ela falhou espetacularmente. Foi como um pombo tentando dançar balé. Se foi um exercício de humor, parabéns: foi hilária. E, se era uma chantagem disfarçada, recomendamos que assista a menos filmes de O Poderoso Chefão e a mais sessões com o psiquiatra.

Cordialmente,

Carlos Castelo

P.S.: Como dizemos aqui no Brasil: Muito obrigado por nada.

(Publicado na revista Fórum)




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