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Política • 10 mar, 2020

Campo Grande está vivendo uma epidêmia de doenças endêmicas?


Nos últimos meses, a população campo-grandense tem ficado em estado de alerta com o índice de doenças endêmicas na Capital

A falta de cuidado da população é um dos principais fatores do aumento da dengue

A falta de cuidado da população é um dos principais fatores do aumento da dengue – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nos últimos meses, a população campo-grandense tem ficado em estado de alerta com o índice de doenças endêmicas na Capital. Uma das principais é a dengue, que por meio do mosquito transmissor Aedes Aegypts transmite além da dengue, zika, febre amarela e chikunguya.

Em 2019, Campo Grande registrou nove mortes por dengue, conforme o boletim da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Já no início deste ano, Geverson Camelo dos Santos, 30, morreu com quadro de insuficiência hepática e renal, que evoluiu para uma encefalite e falência renal em decorrência da dengue.

Conforme a infectologista da Sesau, Dra. Márcia Dal Fabbro ao portal A Crítica, teremos mais uma epidêmia de dengue neste ano no município. “Nós estamos no segundo ano seguido de epidemia de dengue, provavelmente o índice vai crescer. Mas temos os riscos das doenças respiratórias, já que agora é o período de começar a introdução dos vírus respiratórios e temos um aumento significativo desses casos”, explica.

As notificações de dengue contabilizaram 64.301 casos no Mato Grosso do Sul

A SES (Secretaria Estadual de Saúde) aponta que, entre janeiro e dezembro de 2019 o total de registros no Estado foi de 27 mortes. Entre as vítimas estavam crianças de um, cinco e 11 anos. As notificações de dengue contabilizaram 64.301 casos no Mato Grosso do Sul.

Além da dengue, outra endemia que voltou neste ano foram os casos de sarampo que voltaram a tomar conta das unidades de atendimento. A doença que havia sido erradica no Brasil em 2016 voltou a ganhar força em 2018 graças à diminuição da cobertura de vacinação. Conforme o boletim epidemiólogico no período de 01 de janeiro a 16 de outubro foram notificados 27 casos de sarampo em Campo Grande, sendo 1 caso confirmado e quatro em investigação. A região com maior prevalência de casos notificados é a do distrito Anhanduizinho.

A infectologista argumenta que por ter sido considerado erradicada, os pais deixaram de levar seus filhos para se vacinar.

“Existem vários fatores para isso, um deles é a divulgação da campanha contra a vacina de um grupo de pessoas. Outra seria os pais não se preocuparem com a doença, pois muitos não conheceram o sarampo e não sabem da gravidade dessa doença, que pode comprometer principalmente as crianças, levando a quadros graves e até óbito”, afirma.

Uma nova campanha de vacinação contra o sarampo começou no mês passado e é destinada a público entre 5 e 19 anos. A vacinação vai até 13 de março.

Em 2020, ao que tudo indica, essas doenças devem continuar crescendo em Campo Grande, e o coletivo muitas vezes tem grande responsabilidade para evitá-las.

“A dengue por exemplo continua sendo um problema seríssimo. O motivo principal para evitar a doença é a prevenção, os focos intra-domiciliares, causando esse aumento dos Aedes, e com isso a transmissão da doença”. A infectologista ainda acrescenta que a luta do Ministério da Saúde dura há 30 anos nessa luta, mas o caso se tornou um problema de educação da população.

“Tem doenças que dependem muito do controle de limpeza das pessoas em suas moradias, como o caso das doenças transmitidas por insetos, por carrapatos, pela presença de escorpiões, a leishmaniose com animais doentes e os quintais cheios de folhas e frutas, isso propicia a proliferação do mosquito”, afirma.

Entre dezembro e março o clima úmido e de muito calor favorece para o aparecimento de escorpiões e outros tipos de animais peçonhentos, que se abrigam em esgotos e entulhos.

Segundo o CCZ, 500 pessoas procuraram atendimento em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento)

No primeiro semestre de 2019 houve um aumento de aproximadamente 50% dos casos de picadas de escorpiões em Campo Grande. Segundo o CCZ, 500 pessoas procuraram atendimento em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). Entre abril e julho foram 277 atendimentos por picada de escorpião, o número representa o dobro do mesmo período em 2018, que registrou 119 casos. Em dezembro uma menina de seis anos foi picada por um escorpião em sua casa no bairro Campo Nobre. A criança chegou a ficar em em coma induzido na UTI.

“Nessa época de proliferação fazemos orientação as pessoas quanto o acúmulo de entulhos, de encanamentos vazios, de obras, limpeza de quintal e etc. O CCZ faz essa orientação para a população sobre os cuidados que devemos ter com os escorpiões, além do preparo da assistência no atendimento desses pacientes picados”, ressalta.

A orientação para evitar a entrada de escorpiões em casas e apartamentos é usar telas em ralos de chão, pias e tanques, além de vedar frestas nas paredes e colocar soleiras nas portas. Os cuidados incluem ainda afastar camas e berços das paredes e vistoriar roupas e calçados antes de usá-los. Já em áreas externas, a principal dica é manter jardins e quintais livres de entulhos, folhas secas e lixo doméstico.

Coronavírus – Recentemente o mundo foi pego de surpresa com o surto do Coronavírus. A doença foi descoberta em dezembro do ano passado na China, e até o este mês matou mais de 2 mil pessoas. Campo Grande ainda não apresentou nenhum caso do vírus, mas vem apresentando um plano de contingência com orientações para os profissionais da área.

Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgou um boletim epidemiológico na tarde de ontem (9), onde vem monitorando sete casos suspeitos de coronavírus (COVID-19), sendo um em Paranaíba, um em Dourados, um em Três, Lagoas  e quatro em Campo Grande. Mais dois caso deram negativo para coronavírus, somando nove casos descartados pelo exame do IAL (Instituto Adolfo Lutz).

Apesar das suspeitas, a médica infectologista Iris Bucker garante que não há motivo para o alarde. “Está circulando um pânico, mas não é necessário tanta preocupação nesse sentido. As pessoas que estão infectadas estiveram em outro país e trouxeram para o Estados que já confirmaram o caso. Ainda não circulação do vírus entre nós, por isso não tem necessidades das pessoas correrem para comprar alcool em gel e máscara como nas últimas semanas”, alerta.

Marcia explica que apesar de ter sintomas semelhantes que uma gripe comum, a população continuem tendo hábitos de higiene.

“Os cuidados são os mesmos que a população tem que ter, que é higiene, lavar as mãos, usar álcool em gel, não colocar mão na boca, nos olhos, ter esses cuidados que sempre foram orientados nessa época em que há a circulação desses vírus respiratórios”, finaliza.




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