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Política • 18 maio, 2026

Futebol: quem pode mais chora menos


(Cláudio Henrique de Castro) –

Em breve teremos um modelo de contratação formal para a arbitragem.
A CBF iniciou em janeiro de 2026 o Programa de Profissionalização da
Arbitragem (PRO) para árbitros da Série A, com 72 profissionais (20 árbitros, 40
assistentes e 12 VAR) contratados com salários fixos, taxas por jogo e bônus por
desempenho, além de suporte de saúde.

Isso está adiantando alguma coisa?
Basta ver os jogos da série A e constatar com há vários pesos para a mesma
medida, a exemplo dos cartões amarelos e faltas muito semelhantes, dentre outros erros
crassos, como o mais recente da substituição contrária ao que o técnico solicitou no jogo
do Vasco e Curitiba (17/05/26).

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou em novembro de 2025 o
Projeto de Lei 864/2019, que cria um contrato especial de trabalho (CLT ou PJ),
garantindo direitos trabalhistas e previdenciários, além de estabilidade provisória.
A finalidade da medida visa garantir a dedicação exclusiva ou prioritária,
treinamento contínuo e melhora técnica, cobrindo o Campeonato Brasileiro com uma
escala fixa.

A Europa é a referência do modelo adotado no Brasil, com diversos países
consolidando a arbitragem como profissão.
Na Inglaterra a Professional Game Match Officials Limited (PGMOL) é o
exemplo mais consolidado. Fundada há mais de duas décadas, institucionalizou a
função, oferecendo dedicação exclusiva, altos salários e mentorias técnicas.

Na Espanha os árbitros da La Liga funcionam em regime profissional, sendo dos
mais bem pagos da Europa, com estrutura voltada para o alto desempenho.
Em Portugal a profissionalização formal iniciou-se em 2013, buscando
dedicação exclusiva para melhorar o nível técnico dos árbitros.

O modelo utilizado pela CBF é o da Alemanha, para a formação e treinamento
técnico de árbitros profissionais.
Um comparativo de salários demonstra como ainda o Brasil está distante da
profissionalização, pela CBF um árbitro central – FIFA ganha um salário mensal 22 mil,
na Inglaterra o rendimento anual no topo da carreira é de R$1,6 milhão.

No Brasil, se o mesmo árbitro apitar quatro partidas por mês pode acumular um
rendimento mensal de 44 mil reais, sem contar as diárias e bônus – isto é, um terço do
que ganham os árbitros ingleses.

A questão também é que o VAR não questiona a arbitragem, deixa o critério
pessoal seguir solto e assimétrico em relação a ponderação de faltas e cartões, age
somente quando é consultado. O resultado é que jogadores são reincidentes em faltas e
saem impunes, e outros em times menores recebem cartões e por vezes são expulsos. A
dita camisa pesada ganha jogo assim, no Brasil. Ligue a TV e constate isto!

Além de tudo, tem a questão das apostas legalizadas no futebol, que se
instalaram com força total no Brasil: patrocínios, de caráter duvidoso, em times;
endividamento coletivo pela epidemia da ludopatia (vício em jogos) e o mais delicado; a
possiblidade de manipulação de resultados sem a devida fiscalização ou investigação.

A ideia jurídica da SAF até agora, não deu certo, precisa profundos
aprimoramentos, retirou os times da bancarrota, mas também lhes sacou a tradição das
camisas, dentre outras sandices.

Outro aspecto, pouco falado, é a grande disparidade de investimentos em times
que disputam o mesmo campeonato. Sabe-se de antemão quais serão os prováveis
campeões com base nos investimentos arquimilionários em jogadores.

Grandes investimentos geram taças e grandes patrocínios. A roda da fortuna no
mundo da bola, para pouquíssimos.
Finalmente, e quanto ao investimento na formação de técnicos de futebol?

Portugal investiu milhões e colhe os frutos no país que já foi considerado a terra do
futebol.
Por aqui…a bola rola e quem pode mais, chora menos.




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