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Política

Política • 22 set, 2023

Itaipu abre as comportas para a política


Causou desconforto no setor de energia a ampliação da área de influência da hidrelétrica de Itaipu no lado brasileiro. A região com direito a receber projetos socioambientais e de infraestrutura passou de 55 para 434 municípios, levando o gasto para quase R$ 1 bilhão (US$ 193,9 milhões). Especialistas questionam o uso político e geopolítico de Itaipu com o dinheiro da conta luz.

A expansão da área e o orçamento robusto sustentam a criação do programa “Itaipu Mais que Energia” para atender todos os 399 municípios do Paraná e outros 35 de Mato Grosso do Sul. Originalmente, eram beneficiadas áreas próximas a bacias hidrográficas de rios na região. Agora, até cidades na praia.

O novo direitor-geral de Itaipu, Enio Verri, também já anunciou R$ 600 milhões, em três anos, para a conclusão da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana), o que fecharia R$ 1,2 bilhão em investimentos na região neste ano.

Pessoas próximas ao PT contam que Verri foi escolhido para fazer uma espécie de revisão na linha de trabalho da usina. Deve colocar Itaipu na cena política, em contraposição à gestão de Jorge Samek que, de 2003 a 2017, blindou a binacional nessa seara.

O atual conselho de administração tem cinco ministros, o que também é visto como uma forma de alinhar a gestão a diretrizes do governo federal. Além da cadeira cativa reservada ao ministro de Relações Exteriores —ocupada por Mauro Vieira—, estão Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Esther Dweck (Gestão) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Ex-deputado federal pelo PT, Verri conta com apoio de Gleisi Hoffmann, presidente do partido, para ocupar o posto e tem feito inúmeros contatos. O que se conta nos círculos políticos do Paraná é que ele estaria se preparando para disputar o Senado ou mesmo entrar numa chapa ao governo do estado na eleição de 2026.

Atualmente, o PT está enfraquecido nos dois estados beneficiados pelo novo programa.

No segundo turno das eleições, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 37,60% dos votos contra 62,40% de Jair Bolsonaro (PL). Em Mato Grosso do Sul, o desempenho de Lula foi ligeiramente melhor: 40,51%. A liberação de recursos de uma gestão petista em Itaipu para toda aquela região cria uma aproximação, avaliam políticos locais.

O evento de lançamento do “Itaipu Mais que Energia” em Foz do Iguaçu, realizado no final de agosto, reuniu representantes de praticamente todos os municípios. Aos que pleiteiam os recursos de Itaipu, é explicado que se trata de uma espécie de doação, com “pouca burocracia”. Um convênio com a Caixa ainda vai “facilitar acesso e aplicação” do investimento.

O que incomoda os especialistas da área de energia é que o dinheiro de Itaipu sai da conta de luz dos brasileiros.

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