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Política • 02 fev, 2020

Lula acumula declarações falsas e distorcidas desde saída da prisão


(Da Folha de S.Paulo, em reportagem de Danueka Arcanjo e Carolina Linhares)

Em discursos e entrevistas, ex-presidente errou a falar sobre imprensa, cárcere e Lava Jato

Desde que deixou a prisão, no início de novembro, o ex-presidente Lula (PT) tem acumulado declarações falsas e distorcidas em discursos e entrevistas pelo país.

mais recente ocorreu em entrevista ao UOL, publicada no último domingo (26). Nela, o petista citou o nazismo e errou ao falar sobre o tratamento jornalístico dado pela TV Globo às mensagens da Lava Jato obtidas pelo site The Intercept Brasil.

“O que a Globo está fazendo com o Intercept, era capaz que o nazismo não fizesse. Ela só teve coragem de citar o Intercept duas vezes: quando o Intercept publicou o nome do Faustão, que acho que tinha dado aula pro Moro, e quando foi citar o nome do Roberto D’Ávila, que tinha trabalhado para arrecadar dinheiro para o meu filme. A Globo não fez sequer matéria contra a fajutice da denúncia do Ministério Público [contra o jornalista Glenn Greenwald, diretor do site]. Então, isso é censura”, disse Lula.

Os diálogos dos procuradores da Lava Jato, porém, foram alvo de reportagens da emissora, como no Fantástico, quando da revelação das primeiras mensagens. A denúncia do Ministério Público contra Glenn também foi noticiada pela emissora, com destaque no Jornal Nacional.

Solto devido à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) segundo a qual uma pessoa só pode ser presa após esgotados todos os recursos, Lula segue enquadrado na Lei da Ficha Limpa e impedido de disputar eleições.

O petista foi condenado em segunda instância nos casos do tríplex de Guarujá e do sítio de Atibaia —no caso do tríplex, a condenação também foi mantida também pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Uma análise da Folha em discursos e entrevistas recentes mostra que o petista errou ou distorceu informações ao falar, por exemplo, sobre censura da imprensa, condições de sua prisão na Polícia Federal em Curitiba, atuação da Lava Jato, impeachment de Dilma e roubo de informações da Petrobras.

Veja algumas dessas declarações do ex-presidente.

PRISÃO

“Eu fiquei numa solitária e, durante 580 dias, eu me preparei espiritualmente para não ter ódio e sede de vingança.”
Em discurso em São Bernardo do Campo, em 9.nov

Falso. Lula não esteve preso em uma solitária, mas em uma sala da carceragem da Polícia Federal de Curitiba com 15 metros quadrados e janela. O dormitório, antes usado para repouso de policiais em viagem, não tem grades e se resumia a banheiro, armário, mesa com quatro cadeiras, esteira ergométrica e um aparelho de TV com entrada USB e que só sintoniza canais abertos. De segunda a sexta, Lula recebia a visita de dois advogados, um na parte da manhã e um à tarde.

Às quintas-feiras recebia parentes, à tarde, e dois amigos, geralmente políticos, pela manhã. Ele saía da sala três vezes por semana para o banho de sol, num espaço de 40 metros quadrados onde antes funcionava um fumódromo, no terceiro andar.

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