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Política • 29 maio, 2026

Classificação de PCC e CV motiva senador Nelsinho Trad


 

O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado e da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), senador Nelsinho Trad, afirmou nesta sexta-feira (29) que o Congresso Nacional irá aprofundar a discussão sobre os impactos da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Segundo o parlamentar, já existe uma reunião de trabalho aprovada no âmbito da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) para tratar do tema. A intenção é reunir especialistas, representantes da área de inteligência, do Ministério da Defesa, do Itamaraty, das forças de segurança e demais órgãos envolvidos para avaliar os efeitos da medida sobre a segurança pública, a soberania nacional e a economia brasileira.

“Precisamos compreender todos os impactos dessa decisão dos Estados Unidos para a segurança, a soberania e a economia brasileira”, afirmou.

Durante entrevista ao vivo nesta sexta-feira, o senador Nelsinho Trad também não descartou uma nova atuação diplomática do Senado junto aos Estados Unidos, nos moldes da missão suprapartidária liderada por ele durante a crise do tarifaço americano sobre produtos brasileiros.

Não vamos nos furtar, se houver necessidade, de fazer o mesmo procedimento: montar uma comissão pluripartidária, sem viés político, ir aos Estados Unidos e verificar exatamente quais procedimentos precisam ser tomados para que essa medida possa contribuir para o combate ao crime organizado sem ferir a soberania nacional”, declarou.

O senador destacou que o combate às facções criminosas é uma prioridade e que toda iniciativa capaz de ampliar a segurança da população brasileira deve ser analisada com seriedade. Ao mesmo tempo, defendeu cautela diante dos possíveis efeitos jurídicos, econômicos e diplomáticos decorrentes da decisão americana.

“Precisamos sair da polarização e olhar para o interesse do Brasil. É uma questão que envolve segurança pública, relações internacionais, inteligência, soberania e atividade econômica. O momento exige responsabilidade, pragmatismo e diálogo”, afirmou.

O senador Nelsinho Trad informou ainda que há preocupação entre parlamentares de diferentes áreas, especialmente em relação aos possíveis reflexos sobre setores produtivos, operações financeiras e relações internacionais. A classificação de grupos criminosos como organizações terroristas já foi usada pelos Estados Unidos em relação a cartéis mexicanos, à MS-13 e ao Tren de Aragua, conforme registros oficiais do Departamento de Estado e do Federal Register.

Especialistas alertam que a decisão pode gerar efeitos além da segurança pública. O promotor Lincoln Gakiya, referência no enfrentamento ao PCC, já apontou que bancos podem ser afetados caso operações financeiras sejam associadas, ainda que indiretamente, a integrantes ou estruturas ligadas a facções classificadas como terroristas.

Na prática, uma empresa brasileira pode não ter qualquer relação direta com o crime organizado, mas ainda assim ser afetada caso bancos, seguradoras, compradores internacionais ou autoridades estrangeiras passem a considerar determinadas regiões, cadeias logísticas ou operações financeiras como áreas de risco ampliado. Isso pode atingir exportadores, transportadoras, frigoríficos, produtores rurais, empresas de infraestrutura e instituições financeiras que dependem de crédito, seguro, pagamentos internacionais ou acesso ao mercado americano.




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