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Política • 14 jul, 2025

Rock, futebol e a arte de viver um dia de cada vez


(por Leonardo Bessa*, publicado na coluna de Juca Kfouri no UOL) – 

Dia Mundial do Rock. Final da Copa do Mundo de Clubes. E meu pensamento movido a devaneios navega entre Casagrande, Paul Casgoigne, Rita Lee, Cazuza, Janis Joplin, Amy Winehouse. Tão talentosos quanto humanos. Também penso no Chelsea, que fez algo impensável.

Nós, que não somos estrelas do rock ou dos gramados, mas que, em algum momento escolhemos viver todos os dias, um de cada vez, temos muito a celebrar com eles.

Assim como o rock, contestador por essência, manter-se sóbrio é resistência. É nadar contra a corrente. Enfrentar uma dependência que te arrasta para trás, com a força revolucionária dos que querem avançar. Transformar. Renascer.

Como o futebol, que, dia após dia, se mostra belo, imprevisível e encantador. Esporte, talvez único, em que o azarão pode nos surpreender. Tem segundas chances. Tal qual um adicto, que não se deixa abater por diagnósticos e, corajosamente, rompe linhas e faz uma transição em velocidade em direção oposta às estatísticas.

Velocidade que ganha consistência com o passar dos dias. Que viram meses e se transformam em anos. Afinal, não é assim
que se constroem times e carreiras lendárias? Bandas, jogadores, seres humanos.

Vitórias não acontecem na véspera. É preciso lutar por elas com coragem, força e estratégia. Como bem disse o agora ex-técnico do Botafogo, Renato Paiva, time que, assim como o Chelsea, derrotou o PSG na Copa do Mundo de Clubes, “o cemitério do futebol está cheio de favoritos”.

Pois, o mundo dos vivos está repleto de almas que desafiam a lógica. E, ao acordar para mais um dia, mesmo que durante uma insônia que as traz ao teclado, prova que a vida vale a pena. Para saborearmos a beleza das segundas chances.

*Leonardo Bessa é jornalista formado há 20 anos pela PUC-PR. Dependente químico em sobriedade por múltiplos anos e dublê de escritor.




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