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Política • 06 mar, 2026

Quando a justiça tem voz de mulher


( por André Borges – advogado ) –

Em janeiro, escrevi um artigo destacando o excelente trabalho das mulheres
que atualmente integram as câmaras julgadoras do Tribunal de Justiça
Estadual. Não demorou para que alguns colegas, com justa curiosidade, me
perguntassem: “E as mulheres da advocacia?”. A pergunta ficou ecoando como
uma convocação — e este texto nasce justamente como resposta.

Mais do que uma resposta, trata-se de uma homenagem. Uma homenagem às
advogadas que conheço, que admiro e que, cada uma à sua maneira,
representam a força feminina no exercício do direito: Adriana Sawaris,
Camila Bastos, Ellen Ferreira, Elenice Carille, Gláucia Piteri, irmãs Cantero
(Adriana, Fabiana e Larissa), Kátia Claro, Kênia Fontoura, Giselle Marques,
Graziele Carra, Laís Mascarenhas, Líbera Copetti, Lucy Marques, Luiza
Ribeiro, Nancy de Carvalho, Noely Vieira, Olga Siufi, Rachel Magrini, Renata
Borges e Silmara Amarilla. Em cada uma delas reconheço qualidades que
dignificam a advocacia e engrandecem a profissão.

No dia 8 de março, quando o mundo celebra o Dia Internacional da Mulher,
somos convidados a refletir sobre os caminhos que elas abriram ao longo da
história. Se a sociedade fosse um grande tribunal do tempo, as mulheres
teriam em seus autos séculos de luta, perseverança e conquistas. Entre esses
espaços conquistados com coragem, destaca-se a advocacia — profissão que,
como uma ponte, liga o cidadão à justiça e transforma direitos escritos em
direitos vividos.

No Brasil, as mulheres representam a maioria da população: cerca de 51%.
Como um espelho da própria sociedade, essa presença também se projeta no
universo jurídico, onde a participação feminina cresce e se consolida com cada
nova geração de profissionais.

Hoje, a advocacia brasileira também é majoritariamente feminina. Mais de
metade dos advogados do país são mulheres. Nos escritórios, nos tribunais,
nas universidades e nas instituições públicas, elas ocupam posições de
destaque, influenciam debates jurídicos e ajudam a aperfeiçoar o
funcionamento da justiça.

Mas a importância dessa presença não pode ser medida apenas em números.
Assim como uma boa argumentação jurídica não se sustenta apenas em
estatísticas, a força das mulheres na advocacia reside sobretudo nas
qualidades que levam consigo para o exercício da profissão.

Entre essas qualidades, destaca-se o sólido conhecimento técnico. As
advogadas têm demonstrado elevada formação acadêmica, dedicação
constante ao estudo e profundo domínio das regras e princípios jurídicos. Tal
preparo transforma a advocacia em um instrumento ainda mais eficiente de
defesa dos direitos.

Ao lado desse rigor intelectual, surgem atributos humanos que fazem toda a
diferença. A sensibilidade e a empatia permitem às advogadas enxergar além
dos processos, percebendo as histórias, angústias e esperanças que existem
por trás de cada causa. Afinal, antes de serem números em um protocolo, os
conflitos são dramas humanos.

A cordialidade e a ética inabalável também marcam a atuação feminina. Em um
ambiente muitas vezes marcado por tensões e disputas, a postura equilibrada
e respeitosa funciona como uma bússola moral, lembrando que a advocacia
não é apenas uma profissão, mas também um compromisso com a justiça e
com a dignidade das pessoas.

Há ainda uma virtude que talvez sintetize todas as outras: a resiliência. Ao
longo da história, as mulheres precisaram superar preconceitos, romper
barreiras e afirmar seu espaço em ambientes tradicionalmente masculinos.
Dessa trajetória nasceram a firmeza, a persistência e a coragem que hoje
marcam sua atuação profissional.

Assim, celebrar o Dia Internacional da Mulher é também reconhecer a
contribuição essencial das advogadas para o sistema de justiça. Com
conhecimento, sensibilidade, ética e determinação, elas ajudam a construir um
direito mais humano e uma sociedade mais equilibrada.

E, olhando para tantas profissionais que honram diariamente a beca invisível
da advocacia, fica claro que a justiça se torna mais completa quando é
iluminada pela inteligência e força das mulheres.




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