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Artigos • 01 abr, 2026

A aposta naufragada do apresentador Ratinho para as eleições de outubro


(Da revista Veja, por Laryssa Borges) –

Ratinho-pai tentou emplacar chapa formada pelo filho e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, mas negociações não avançaram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda não havia sido anunciado como sucessor do pai na corrida presidencial, é verdade, mas no passado recente o apresentador de televisão Ratinho procurou o presidente do PL Valdemar Costa Neto e o sondou sobre uma chapa presidencial que teria o governador do Paraná Ratinho Júnior como candidato a presidente e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como vice.

Àquela altura, o empresário e personalidade de televisão alegava que precisaria de tempo para tornar o filho conhecido nacionalmente e alegava que sua popularidade junto ao eleitorado de viés mais popular poderia ajudar na conquista de rincões historicamente associados ao PT, como estados da região Nordeste. 

A intenção de Ratinho-pai era a de que o PL decidisse o mais rápido possível a chapa que enfrentaria Lula em 2026, mas, experiente, Costa Neto sempre se saia com a mesma desculpa. Alegava que, mesmo com Jair Bolsonaro condenado e prestes a começar a cumprir pena por liderar uma trama golpista, dependeria de uma decisão do ex-presidente para anunciar que rumos o PL tomaria. O próprio Valdemar tinha simpatia pelo nome de Michelle Bolsonaro para voos mais ambiciosos que uma vaga ao Senado, posto para o qual deve efetivamente concorrer. 

Com as costuras eleitorais mais avançadas, o governador Ratinho Junior passou a ser cortejado como candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro, mas declinou do convite. Na sequência, anunciou que se retirava também da condição de pré-candidato ao Planalto pelo PSD. Tido como dono de um senhor tino político, o presidente da legenda Gilberto Kassab promete até o fim do mês anunciar entre os governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) o nome da legenda para a corrida presidencial de outubro.

Ratinho Júnior desistiu do páreo por uma combinação de fatores, mas tanto correligionários quando adversários políticos insinuam que o governador do Paraná, bem avaliado por cerca de 80% do eleitorado, pode ser alvejado na campanha eleitoral por conta da presença de um personagem específico.

Em 2020, no primeiro mandato como governador do Paraná, a subsidiária de telecomunicações da Companhia Paranaense de Energia (Copel) foi vendida para um fundo que tinha como acionista o empresário Nelson Tanure, especializado em comprar empresas em dificuldades financeiras e investigado como possível sócio oculto de Vorcaro nas traficâncias do Master.

Com o escândalo financeiro a pleno vapor, Tanure foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero e teve mandados de busca e apreensão cumpridos contra ele. Entre as suspeitas está a hipótese de investigadores de que pode ter atuado como sócio oculto do ex-dono do Master.




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