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Artigos • 28 maio, 2025

Ancelotti, o técnico sem filosofia


(por Tostão, na FSP) –

Treinador representa o futebol moderno, prático, que associa talento, estratégia e disciplina

Existe um consenso de que o italiano Ancelotti, campeão em vários países, é um grandíssimo treinador, embora alguns achem que o técnico da seleção deveria ser um brasileiro. Outros pensam que o fato de ele nunca ter sido treinador de seleção possa prejudicá-lo, ainda mais em outro país.

Ancelotti já mostrou que se adapta muito bem a diferentes circunstâncias e tem bom relacionamento com jogadores, dirigentes, torcedores e imprensa esportiva.

Por melhor que ele seja, não há nenhuma certeza de que a seleção dará um salto de qualidade. O desempenho e os resultados dependem de muitos fatores, como a qualidade dos jogadores, dos adversários e de inúmeros detalhes previsíveis e imprevisíveis.

Como todas apresentam também deficiências, o Brasil é sempre candidato a ganhar um título mundial. Se melhorar com Ancelotti, aumentam as chances.

Outra opção de Ancelotti é atuar com dois volantes e dois pontas que voltam para marcar, formando um quarteto na proteção dos quatro defensores, além de um meia centralizado ofensivo e um centroavante.

Bruno Guimarães, o melhor dos meio-campistas brasileiros, atua com muito mais qualidade no Newcastle do que na seleção porque o time inglês joga com um volante pelo centro e um meio-campista de cada lado (Bruno Guimarães e Joelinton). Bruno marca, dá ótimos passes e avança com muita eficiência. Na seleção ele tem sido apenas um volante marcador.

O melhor da entrevista coletiva de Ancelotti ao ser perguntado sobre qual é a sua filosofia de jogo e se prefere o estilo mais propositivo ou mais reativo, respondeu, com sabedoria e simplicidade, que não tem filosofia, que seu time joga de acordo com o momento e as características e qualidades de seus jogadores e adversários e que a melhor estratégia é a mais bem executada. Ancelotti conhece profundamente o óbvio.

Assim são o futebol e a vida. Somos todos contraditórios, uns mais que outros.




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