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Opinião e atitude no Mato Grosso do Sul

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Artigos • 10 jul, 2025

Briga inconsequente


por Célio Heitor Guimarães – 

Tenho acompanhado, a certa distância, o atual embate entre Luiz Inácio presidente e o Congresso Nacional, agravado com a rejeição pelos parlamentares do aumento das alíquotas do IOF proposto pelo governo.

O entrechoque não faz bem a nenhuma das partes e muito menos para a população. A divergência entre o Executivo e o Legislativo compõe a democracia. Mas há que se ter o necessário cuidado para não seguir por um caminho sem volta.

Lula está num chamado pacau de bico: gasta demais e não tem mais de onde tirar dinheiro. Como todo governante em tal situação, lança mão do aumento de tributos – o que prometera não fazer durante a campanha eleitoral. Mas está de olho na reeleição do ano que vem e precisa aumentar a sua popularidade junto aos eleitores. Os nobres deputados e os nobres senadores, de olho nas emendas parlamentares, querem ser protagonistas e não meros coadjuvantes. Está estabelecido o conflito.

Como cidadão, atrevo-me a colocar a minha colher de pau nesse angú. Claro que o companheiro-presidente precisa parar com a gastança. Além do que, há outros meios de arrecadar para o erário. Taxar os ricos, acabar com as isenções indevidas, cortar os supersalários, pagos, em regra, pelo Judiciário, Ministério Público, Tribunais de Contas e também pelo Congresso Nacional, por exemplo. E reduzir, sobretudo, as tais emendas parlamentares..

O que falta para Lula é a transparência e a sinceridade. Deve ir à imprensa e principalmente à televisão e soltar o verbo, explicar para o público a situação. O povo compreenderá e, se for o caso, dar-lhe-á o voto em 2026.

Também precisa parar com essa cantilena de “ricos e pobres”, “nós contra eles”. Talvez isso funcione no palanque eleitoral, não no governo, ainda que, a julgar pelas redes sociais, Luiz Inácio esteja levando certa vantagem. Alega indicadores econômicos favoráveis, como a expansão do produto interno bruto, acima da estimativa, e a baixa taxa de desemprego. Mas o ajuste fiscal é indispensável, excelência.

O assunto, como não poderia deixar de ser, foi levado ao Judiciário e entregue ao ministro  do STF Alexandre de Moraes, que marcou um encontro entre as partes para a próxima terça-feira.

O ex-ministro Nelson Jobim, ouvido pela CNN, também defendeu o diálogo: “Crise política não se resolve sem diálogo”.

Não sei se o diálogo terá resultado favorável nessa situação. Lula é birrento e, neste terceiro mandato, tem mostrado certa intransigência. E o senador Davi Alcolumbre, presidente do Parlamento, já avisou que “não aceitará que o governo jogue o povo contra o Congresso” e que “essa coisa de ricos e pobres, de nós contra eles, tem que acabar”.

Ulysses Guimarães ou Tancredo Neves, não lembro qual dos dois (ambos nomes de respeito do antigo Congresso Nacional), dizia que reunião só se marca quando a questão já estiver resolvida. A menos que haja um problema específico que necessite de discussão para ser resolvido – o que parece ser o caso.

Aguardemos os próximos capítulos.




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