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Artigos • 28 abr, 2019

Corra, Lava Jato, corra! (ARTIGO)


Aquele que foi um dos maiores escândalos da Era PT – a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, EUA, pela Petrobras em 2006 – caminha para prescrição sem que a investigação tenha sido concluída…

Os crimes de corrupção, passiva e ativa, prescrevem em 16 anos, de modo que a Lava Jato tem menos de três anos para fechar o inquérito e entregá-lo ao juiz federal de primeira instância… E a Sociedade Brasileira terá de contar com a celeridade da Justiça para que haja punição…

Pasadena é uma velha refinaria localizada na cidade homônima, no Texas (EUA). Foi comprada pela Petrobras em duas operações sucessivas, a primeira em 2006 e a segunda em 2008. Os principais personagens em ambas as operações foram: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil do governo Lula e presidente do Conselho de Administração da Petrobras; o delator e ex-presidiário Nestor Cerveró, diretor Internacional da Estatal entre 2003 e 2008.

QUATRO BI DE PREJUÍZO

As duas operações deram nada menos de 4 bilhões de reais de prejuízo à estatal, metade dos quais só foi compensada agora, em janeiro de 2019, já sob o governo de Jair Bolsonaro, com a venda da totalidade das ações de Pasadena à americana Chevron.

Ainda assim, até hoje não se sabe qual o valor despendido pela Petrobras na reforma e manutenção da refinaria, que fora comprada como sucata pela belga Astra Oil em 2005 por um preço 27 vezes inferior ao pago pela Petrobras no ano seguinte… A reforma não deve ter custado pouco para despertar o interesse da exigente Chevron…

CINISMO E VILANIA

A história da compra de Pasadena foi recheada de cinismo e vilania.

Para entendê-la, é preciso voltar no tempo quase duas décadas. Não pode ser contada sem mencionar um outro personagem relevante da trama, o bilionário belga Albert Frère, o dono da Astra Oil, entre tantas de grande porte do setor energético mundial.

Foi Dilma Rousseff, então ministra das Minas e Energia do governo Lula, quem introduziu Albert Frère no circuito palaciano brasileiro. Ele, que já era íntimo de Dilma, tornou-se amigo de Lula… E ficou no Planalto fazendo o que os bilionários mais sabem fazer: puxar o saco das pessoas certas, na hora certa… Deu dinheiro graúdo para a reeleição de Lula e até ajudou a financiar o filme (puxa-saquismo explícito), “Lula, o filho do Brasil”…

E com certeza foi ali no ambiente palaciano que nasceram as primeiras tratativas da negociata que seria fechada em duas etapas… Primeiro, em 2006, com a compra da metade das ações de Pasadena e, em 2008, com a compra das ações remanescentes…

BELA “MÁ FÉ”

A presidente do Conselho de Administração da Petrobras, a ex-guerrilheira Dilma Rousseff, autorizou ambas as transações; ao autorizar a segunda, imposta pela justiça americana, alegou que Nestor Cerveró “agiu de má fé” ao esconder do Conselho uma cláusula contratual… Segundo essa cláusula a compradora de metade da refinaria estaria obrigada a comprar a totalidade das ações caso entrasse em conflito com quem vendeu… Certamente, forjaram um conflito com a Astra para que a segunda etapa da operação fosse realizada.

A ex-guerrilheira chegaria à Presidência da República  três anos depois, mas deve ter adorado a “má fé” de Nestor Cerveró, pois este foi mantido no topo da direção da Petrobras nos seus dois mandatos presidenciais e só foi preso pela Lava Jato em 2015,por outras falcatruas…

Hoje, em casa com tornozeleira eletrônica, Cerveró declarou em delação premiada que a Astra Oil pagou apenas 15 milhões de dólares de propina a funcionários da Petrobras pela compra de Pasadena… Por mais essa mentira, deveria perder os benefícios da delação…

DIRCEU PIO




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