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Artigos • 22 jan, 2026

LEROS ( sobre os cursos de Medicina)


(de Carlos Castelo)

O Ministério da Educação resolveu brincar de pronto-socorro, mas sem anestesia. Avaliou 351 cursos de medicina e descobriu que 107 deles estavam mais para diagnósticos do Chat GPT do que para faculdade. Resultado: cerca de 30% receberam notas 1 ou 2.

Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica foram graves. Oito cursos tiveram o vestibular interditado. Outros perderam metade das vagas, um quarto deles, ficaram proibidos de crescer. Em linguagem médica: contenção mecânica aplicada à educação.

O curioso é que nada disso impede os diplomas de circularem, nem o jaleco branco de inspirar respeito. No Brasil, estetoscópio continua funcionando como distintivo de autoridade, mesmo quando o curso que o gerou mal sabe onde fica o fígado.

O Enamed não revelou apenas cursos ruins. Trouxe à luz algo mais profundo: a crença nacional de que, se tem prédio, logotipo e mensalidade, deve servir para alguma coisa. Afinal, quem precisa de anatomia quando se tem marketing?




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