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Artigos • 15 fev, 2026

O Supremo vive um dos piores momentos de sua história


( Gaudêncio Torquato) – O Supremo Tribunal Federal atravessa talvez o momento mais delicado de sua história recente. Pressionado por ataques políticos, campanhas de desinformação, tensões com o Congresso e agora envolvido em megainvestigações como o caso do Banco Master e o roubo dos aposentados do INSS, o tribunal tornou-se o epicentro das desconfianças sobre o sistema de justiça brasileiro.

A crise não começou agora. A invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 marcou um divisor de águas: pela primeira vez desde a redemocratização, o prédio do Supremo foi vandalizado por extremistas que contestavam o resultado das eleições. Desde então, a Corte assumiu papel central na responsabilização dos envolvidos, elevando a temperatura política em torno de seus ministros.

No rastro do caso surgiu o conflito com o INSS envolvendo cerca de 300 mil empréstimos consignados sem comprovação adequada, somando aproximadamente R$ 2 bilhões. O instituto bloqueou repasses ao banco, enquanto o STF autorizou quebras de sigilo e bloqueio bilionário de bens para aprofundar as apurações.

É nesse ponto que a crise ganha dimensão política. Decisões do ministro Dias Toffoli, como o sigilo inicial do inquérito e a reversão de medidas aprovadas pela CPMI, provocaram reação no Congresso, que acusou o STF de interferência nas prerrogativas legislativas. Pedidos de suspeição e manifestações da PGR reforçaram a sensação de tribunal sitiado.

Do ponto de vista social, o impacto é devastador: milhões de aposentados descobriram descontos e empréstimos que nunca autorizaram. Para eles, o Supremo surge ora como proteção institucional, ora como instância lenta e distante, capaz de atrasar reparações.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva argumenta que recorrer ao Supremo evita caos jurídico e garante tratamento uniforme às vítimas. Críticos, porém, afirmam que a medida transfere ao tribunal um problema essencialmente administrativo e reduz o poder de negociação dos aposentados.

Uma saída passa por três eixos: transparência plena das investiga-ções, proteção rápida aos aposen-tados lesados e um novo pacto de limites entre STF, Executivo e Congresso. Sem isso, o tribunal continuará imerso em sua maior crise — e o país seguirá marcado pela desconfiança e pelo descrédito institucional.

Gaudêncio Torquato
Escritor, jornalista, professor emérito da ECA-USP e consultor político




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