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Política • 14 maio, 2021

Eduardo Cunha diz que temeu PCC na cadeia e anuncia retorno à vida política


Cita novo livro: “Querida, eu voltei”  –  Concede 1ª entrevista em liberdade

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB-RJ), anunciou seu retorno à vida política em sua 1ª entrevista concedida depois de ter a prisão domiciliar revogada por decisão do desembargador Ney Bello, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).

O ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha carrega envelope com documentos em saguão de hotel em Brasília, em 2016Sérgio Lima/Poder 360 – 21.jun.2016

As declarações foram feitas à revista Veja e publicadas na manhã desta 6ª feira (14.mai.2021). Cunha teve a prisão preventiva decretada em junho de 2017. Quase 3 anos depois, em março de 2020, passou a cumprir prisão domiciliar. Com a revogação do último mandado de prisão, ele pode andar livremente.

O ex-deputado negou a possibilidade de ser candidato nas próximas eleições, em 2022, mas garantiu que deve retornar ao debate público. “A candidata nas próximas eleições a deputada federal é a minha filha Danielle Cunha. Mas me aguardem: com certeza, eu vou voltar [à política], disse.

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Cunha teceu críticas à operação Lava Jato e ao ex-juiz Sergio Moro. O ex-deputado afirmou que foi “usado como contraponto para não parecer que ele [Moro] perseguia unicamente o PT”.

“Era uma injustiça [a prisão]. Fiquei esse tempo todo cumprindo medida preventiva mesmo estando num país onde a presunção da inocência é parte da Constituição e só se pode executar a pena depois de a ação transitar em julgado. Me tornei um troféu para o Moro”, declarou.

Durante a entrevista, o ex-presidente da Câmara disse ter considerado ofensiva uma das perguntas feitas pela reportagem, que questionou se ele já havia se beneficiado de dinheiro público.

“Essa pergunta é ofensiva, mas a respeito pela situação em que me encontro. Em outra circunstância, nem responderia. Mas não, não me beneficiei de dinheiro público. Talvez tenha cometido o mesmo erro que outros brasileiros, que, com a inflação alta, mantiveram dinheiro no exterior sem declarar à Receita Federal”, afirmou.

“Para ser sincero, não tenho um centavo sequer. Todo o meu dinheiro foi bloqueado. Hoje sou sustentado pela família. Agora, com a liberdade, preciso arranjar um jeito de sobreviver. Penso em um canal no YouTube sobre política. Também tenho espaços de lojas e talvez vá empreender. Estou ainda às voltas com meu segundo livro, que já tem até título: ‘Querida, Eu Voltei’”, disse.

Seu 1º livro foi lançado em abril, com o título “Tchau, Querida: O Diário do Impeachment”, publicado pela Editora Matrix.

Cunha disse ainda que seu pior momento na prisão foi depois do vazamento da delação do empresário Joesley Batista, da JBS: “Como a gente era obrigado a andar pela cadeia, onde havia presos comuns e membros do PCC, sofri ameaças sérias. Esse tipo de informação faz com que bandidos achem que você tem dinheiro e aí tentam extorqui-lo. Existia o medo de que um grupo invadisse a ala da Lava Jato para fazer de refém um de nós”




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