Campo Grande, 29/05/2026 21:43

Blog do Manoel Afonso

Opinião e atitude no Mato Grosso do Sul

Política

Política • 09 dez, 2025

O STF cada vez mais distante do Brasil


por Gerson Guelmann, no HOJEPR –

Em janeiro de 2018, publiquei no meu blog um texto de autoria de Marcelo Rates Quaranta, que nos deixou recentemente. Suas palavras, escritas há quase oito anos, expressavam a indignação de milhões de brasileiros diante do comportamento do Supremo Tribunal Federal. Hoje, ao reler o texto, constato que aquele sentimento não só permanece – como se ampliou.

Marcelo escreveu: “O STF fez de nós pessoas melhores. Obrigado, ministros! Quando olhávamos aqueles Ministros sob suas togas, altivos, queixos erguidos e vozes impostadas, nos sentíamos pequenos diante de uma Corte que parecia sublime. Mas eles não são deuses. São pessoas pequenas e venais. Tudo aquilo é teatro – nós é que somos reais.”

A atualidade dessas palavras impressiona. De lá para cá, o que mudou? Para muitos brasileiros, o protagonismo do STF cresceu a ponto de gerar uma pergunta incômoda: afinal, quem governa o país?

Não discuto aqui questões jurídicas; refiro-me ao que sente o cidadão comum. A percepção é de que a Corte expandiu sua influência muito além do que a população considera razoável – decidindo rumos inteiros da vida nacional, às vezes sem a devida conexão com o Brasil real.

E existe o abismo simbólico. Enquanto milhões lutam para pagar o básico, o Supremo já chamou a atenção por episódios como licitação para refeições com lagosta, medalhões de cordeiro, camarões e vinhos com quatro premiações internacionais. Tudo dentro da lei, claro – mas completamente fora do alcance de quem pega ônibus lotado às seis da manhã.

Era disso que Marcelo falava: da distância entre os que julgam e os que são julgados. Entre a pompa de Brasília e o esforço diário de quem sustenta o país. Entre a toga impecável, a lagosta e o auxiliar que segura o guarda-chuva para proteger do sol a careca do Ministro e o trabalhador que acorda cedo para produzir aquilo que, no fim das contas, paga esse luxo.

Fica aqui a homenagem póstuma ao Marcelo Rates Quaranta, cuja coragem ao escrever o que muitos sentiam continua atual e necessária.

Que sua reflexão permaneça como alerta: nenhuma instituição está acima do povo que a sustenta.

E que, na primeira edição impressa do HojePR, o leitor encontre aqui exatamente isso: a voz de quem ainda acredita que o Brasil merece respeito – inclusive daqueles que deveriam ser seu exemplo maior.




Deixe seu comentário