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Política • 11 jul, 2024

OPINIÃO: O conforto perdido no centro da cidade


Fayez Risk
(POR FAYEZ RISK) –
Em artigo anterior, falávamos de que as causas da derrocada (ainda reversível!) do Centro de Campo Grande são diversas, embora a principal seria a mobilidade urbana, ou mais especificamente, a absoluta desorganização do sistema de ônibus da cidade, que deixou de levar a maioria dos antigos usuários do Centro. Mas outras ações contribuíram para tal.

Uma das premissas do Plano Lerner era a circulação a pé, pelo Centro, através de calçadas seguras e confortáveis, isto é, sem buracos, saliências, com limpeza, iluminadas, etc.

Tem-se como confortável um deslocamento a pé de até uma distância de 800 metros. Mas para isso, a calçada tem que ser segura, confortável, acessível, sem risco de quedas, limpas, agradáveis à vista e ao deslocamento, protegidas do calor, etc.

No entanto o que vimos? As outrora ruas arborizadas, principalmente as de sentido Leste – Oeste, foram devastadas. Alguns (muitos…) “empresários”, cortaram as árvores porque “escondiam a fachada” e suas placas de anúncio, mal projetadas e de muito mau gosto.

Por consequência, aumentou a temperatura ambiente, somada à temperatura – e poluição – do tráfego, que também cresceu exponencialmente.

As edificações, muitas com fachadas de interesse, foram ocultas pela poluição visual, sem contar os sistemas de som berrando no ouvido dos transeuntes.

Como resultado, o comércio mais sofisticado foi expulso para outras áreas, como a Rua Euclides da Cunha – que também está em vias de processo de decadência semelhante – ou para o ar-condicionado dos shoppings.

Assim, o “mix” do comércio e serviço do Centro foi se tornando mais popular, mas cujo público foi sendo afastado pela decadência do sistema de ônibus, com tarifas cada dia mais elevadas.

Ora, ninguém rasga dinheiro, e os verdadeiros empresários (sem aspas) perceberam o movimento e foram se localizar nos sub centros, fora da região Central, mais perto dos consumidores.

Algumas reformas foram promovidas pelo setor público, como a nova Rua 14 de julho, e a reforma das calçadas de toda a região. Mas tenho críticas nessa reforma das calçadas, onde foi utilizado o concreto desempenado em detrimento do nosso tradicional ladrilho hidráulico, de muito melhor aspecto, conservação e limpeza; como resultado, hoje temos calçadas feias, sujas e sem um plano coerente de arborização.

Quanto às vagas de estacionamento, repito: é falso que faltem vagas e que essa seja a causa principal da decadência da região.

Essa ilusão é muito provocada por pessoas que não tem visão técnica, mas palpites emocionais, quando não, partidários.

O Centro da cidade evidentemente não mudou de tamanho ao longo do tempo! A área, por lógica, é a mesma desde sempre. Ora, o que mudou?

Campo Grande em 1.979 tinha 33 mil veículos, hoje tem mais de 600 mil! Simples assim, a mesma área não suporta o número crescente de veículos.

A pequena supressão de vagas nas vias que, por princípio, são para circulação, foi rapidamente notada pelo mercado e hoje podemos afirmar com certeza, de que há mais vagas para estacionar no Centro do que há duas décadas, nos estacionamentos privados!

Não podemos abandonar a caríssima infraestrutura de que a região Central dispõe, é dinheiro nosso que ali está investido. O Centro pode e deve ser salvo, ainda há tempo para isso, com soluções planejadas e coordenadas. Tenho propostas para o Centro, abertas ao debate, que começarei a apresentar em próximos textos.

O AUTOR É ARQUITETO E URBANISTA EM CAMPO GRANDE-MS




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