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Artigos • 13 ago, 2023

Coerência não é uma virtude habitual do ser humano, ainda mais no futebol


(por Tostão, na FSP) –

São muitas as variáveis, tentações e encruzilhadas. Sem perceber, entramos em contradições

Palmeiras, Fluminense e Internacional continuam na Libertadores. Na Sul-Americana, estão classificados Botafogo, Fortaleza, São Paulo, Corinthians e América, último colocado do Brasileirão.

O modesto time do Olímpia, do Paraguai, criou desde o início do jogo várias chances de gols. Os três gols de cabeça poderiam ter sido com os pés. A prepotência da diretoria em achar que o Flamengo é um dos maiores clubes e times do mundo contaminou atletas.

O Atlético Mineiro, com uma enorme folha salarial, acima da qualidade individual dos jogadores, está fora da Libertadores, da Copa do Brasil e ainda muito mal colocado no Brasileiro. Contra o Palmeiras, com a desvantagem de um gol, o Galo não pressionou, não arriscou nem tentou ganhar o jogo no contra-ataque.

Os estádios continuam lotados, com belíssimas festas e muita emoção. Isso ocorre por vários motivos. As pessoas querem desfrutar do prazer depois de três anos de solidão por causa da pandemia. Os estádios estão mais seguros, confortáveis, embora mais caros, sem a presença dos mais pobres.

As transmissões pela televisão passam em diversas emissoras pagas. As pessoas não têm outros hábitos de entretenimento. A violência no futebol quase sempre acontece nas ruas, e não dentro dos estádios. As partidas estão mais emocionantes, intensas, mesmo com níveis técnicos razoáveis.

Os estádios de futebol sempre tiveram bons públicos, em todas as épocas. Hoje, a média é maior do que nos anos 70, quando todos os craques jogavam aqui e o Brasil era tricampeão do mundo. Participei como jogador e espectador de vários jogos em estádios superlotados.

Quando era menino, ia com meu pai ao estádio Independência, lotado, e ficava no primeiro degrau da arquibancada para ver a partida mais de perto. No sábado, meu filho e meu neto assistiram na arquibancada cheia ao jogo entre Cruzeiro e Botafogo. Foi prazeroso para meu neto como era na minha infância.

Em 1963, com 16 anos, quando já era titular do Cruzeiro, viajei para o Rio de Janeiro de ônibus, com amigos da mesma idade para ver o Fla-Flu, decisão do campeonato carioca. Ficamos no meio da galera. Foi a partida de maior público da história entre clubes brasileiros.

Em 1965, com 18 anos, atuei pela seleção mineira contra o River Plate, da Argentina, na inauguração do Mineirão, totalmente lotado.

Em 1969, atuei pela seleção brasileira na partida de maior público da história do Maracanã, contra o Paraguai, quando o Brasil conquistou a vaga para a Copa de 70.

O futebol é grandioso pelos estádios lotados e pelos jogos, com frequência, serem surpreendentes, não respeitarem a lógica e as previsões. Comentaristas adoram pedir a convocação de jogadores para a seleção brasileira e de escolherem os melhores times e atletas dos campeonatos e de cada posição. Os nomes e os conceitos mudam a cada semana.

A coerência não é uma virtude habitual do ser humano, ainda mais no futebol. São muitas as variáveis, tentações e encruzilhadas. Sem perceber, entramos em contradições. Além disso,

As ideias, as opiniões e as ações mudam com o tempo. Quando isso acontece somos cobrados mais a frente.

As pessoas estão cada vez mais carreiristas, tendenciosas e só enxergam, escutam e leem o que está de acordo com o que pensam. A radicalização é cada dia maior. Há tempos, acontecem absurdos de todos os lados. Enquanto isso, não fazem nada para atenuar os graves problemas, como a enorme ausência de saneamento básico nas residências do Brasil.




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