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Artigos • 07 dez, 2023

Nós, os negros


(por Célio Heitor Guimarães) – 

Essa crescente discussão sobre a cor da pele do brasileiro já se tornou desagradável, para não dizer chata. De repente, está todo mundo preocupado com a epiderme nacional e em não se tornar politicamente incorreto. O mais recente caso é o do ministro da Justiça e futuro integrante do STF Flávio Dino.

Sempre achei que o robusto maranhense era branco (talvez um pouco queimadinho pelo sol). Mas, ele faz questão de dizer-se pardo, para irritação do movimento negro, que não aceita a qualificação.

Tolice de ambas as partes. Já disse aqui neste espaço e vou repetir: no fundo, nós, brasileiros, somos todos negros.

Aí lembrei-me de uma estultice sustentada pelo cientista Charles Murray e pelo psicólogo e professor de Harvard Richard Hernstein, ambos americanos. Eles garantiram, em um livreco, que o QI dos negros é inferior ao dos brancos.

Murray confessou a Sérgio Dávila, da Folha de S. Paulo, não conhecer o Brasil e pouco saber sobre nosso país. Uma pena. Se conhecesse, saberia que aqui também temos os nossos QIs baixos. E quase todos na vida pública nacional. Mas nenhum (ou muitíssimo poucos) de pele escura. Nossos negros são sinônimos de brasilidade e desmontam, com um pé nas costas, as preconceituosas conclusões de Murray, Hernstein e assemelhados.

No Brasil, graças à canalha escravocrata que importou os negros da África, o maior escritor – hoje reconhecido como um dos maiores do mundo – foi o negro Joaquim Maria Machado de Assis; alguns dos maiores poetas, como Castro Alves e Cruz e Sousa, eram negros; nas artes e na música em especial, os grandes astros marcaram presença com a sua negritude: Pixinguinha, Sinhô, Ismael Silva, Cartola, Heitor dos Prazeres, Monsueto Menezes, Zé Keti, Lupicínio Rodrigues, Caymmi, Sebastião Prata (Grande Otelo), Ruth de Souza, Milton Gonçalves, Antônio Pitanga,  Odelair Rodrigues, Taís Araújo, Jorge Benjor, Paulinho da Viola, Ângela Maria, Elza Soares, Alcione, Zezé Motta, Milton Nascimento, Tim Maia, Leny Andrade, Luiz Melodia, Gonzaguinha, Wilson Simonal, Jair Rodrigues, Gilberto Gil, Djavan, Seu Jorge, Lázaro Ramos, Chico César, Mussum, Ed Mota, Emílio Santiago, Carlinhos Brown e Vinícius de Moraes, que sempre se considerou “o branco mais preto do Brasil”. E no esporte? Aí, já é covardia: Edson Arantes do Nascimento, Mané Garrincha, Didi, Zizinho, Leônidas da Silva, Barbosa, Domingos da Guia, Djalma Santos, Dida, Ronaldo, Ronaldinho, Robinho, Neymar, Vinícius Jr., Rodrigo, Gabriel Jesus, Eder Militão, Melânia Luz, Aída dos Santos, Irenice Rodrigues, Daiane dos Santos, Marta, Leandro Barbosa, Janeth, Nelson Prudêncio… e vai por aí afora.

Tudo gente de baixo QI, como tinham sido Zumbi dos Palmares, Luís Gama, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, o extraordinário geógrafo Milton Santos e o ex-ministro Joaquim Barbosa, do STF. Será que é tudo branquelo disfarçado de preto?

No Brasil, realmente não deveria haver racismo, pois, como brasileiros, somos todos índios, europeus e negros. De uma forma ou de outra, já tivemos um pezinho na senzala. E isso só pode nos encher de orgulho. Mas há. E muito. Aqui o preconceito existe sim, junto com a desigualdade, e é grande. Em cada esquina, nas praças e jardins, nas lojas e shoppings, nos condomínios, nas escolas e até nos quartéis. Fonte – Blog do Zé Beto




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