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Tempo • 28 dez, 2023

“O calor extremo é uma ameaça à saúde pública”, alerta especialista


Não foi necessário esperar a estação mais quente do ano chegar para experimentar o mal-estar ocasionado pelas altas temperaturas. No Brasil, as ondas de calor têm se intensificado nas últimas décadas. Para ter uma ideia, antes dos anos 1990 a média era de apenas 7 dias por ano com ondas de calor, mas entre 2011 e 2020 essa média subiu para 52 dias por ano. A MetSul Meteorologia estima que o próximo ano será ainda mais intenso: temperaturas muito acima da média na maior parte do país.

Em meio aos termômetros elevados, fala-se muito sobre o El Niño, fenômeno natural e esperado que aquece as águas do Pacífico e afeta o clima global. Mas, associado às mudanças climáticas, originou-se o “Super El Niño”, considerado mais grave e prolongado. “As consequências são variadas e afetam diferentes regiões do Brasil, desde secas no Norte e Nordeste até chuvas intensas no Sul e Centro-Oeste”, afirma Paulo Jubilut, biólogo e professor no Aprova Total.

Para amenizar os danos, o governo brasileiro lançou o plano estratégico Brasil 2040, que inclui várias medidas para nos adaptarmos a essa nova realidade. Modelos de previsão climática e estratégias para a economia estão sendo desenvolvidos. É importante lembrar que as políticas devem proteger as pessoas mais vulneráveis e mais afetadas por eventos extremos.

Já na esfera individual, para lidar com o clima da melhor forma possível, Jubilut destaca a importância de medidas preventivas, como manter-se hidratado, evitar a exposição ao sol nas horas mais quentes, usar roupas leves e garantir que os ambientes fechados estejam refrigerados. O conhecimento sobre as causas do problema é crucial para encontrar soluções efetivas, e Jubilut encoraja ações coletivas diante desse cenário desafiador.

As consequências não se limitam ao desconforto. Jubilut destaca que a exposição às altas temperaturas pode causar complicações sérias, como insolação, desidratação e problemas respiratórios. Pessoas com condições cardíacas são especialmente vulneráveis, pois o calor coloca estresse adicional no sistema cardiovascular.

Um relatório assinado por 52 instituições de pesquisa aponta que o número de mortes relacionadas ao calor pode quintuplicar nos próximos 30 anos. Entre os idosos, já há um aumento significativo nas mortes relacionadas às altas temperaturas. Em 2022, durante a onda de calor na Europa, mais de 61 mil pessoas perderam a vida devido às temperaturas extremas.

Juliana Possas
juliana.souza@economidia.com.br




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