Campo Grande, 26 de janeiro de 2021

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Artigos • 09 jan, 2021

Depois de 2020, nada será como antes


O ano já vai fechando suas cortinas. O próximo já aponta na esquina. Mas é preciso reconhecer: 2020 foi um ano meio estranho, meio esquisito, meio diferente demais, o ano que parece nunca ter começado. Muitos amigos se foram. Caio Nárcio, Carlinhos, Vivi, Alfredo Sirkis. Tantas pessoas que admirava: Aldir Blanc, Sérgio Ricardo, Lan, Carlos Lessa, Flávio Migliaccio, Dom Pedro Casaldaglia. Alan Parker, Ennio Morricone. A pandemia já nos levou 190 mil brasileiros.

Se é verdade que mais uma vez fomos confrontados com nossas fragilidades e com a provisoriedade e imprevisibilidade da vida, nos encontramos também com o melhor da natureza humana. O ser humano é o único na face da Terra capaz de aprender com as crises que aparecem à sua frente. E daí inventar, reinventar, transformar, desafiar, inovar.

Além da devastadora herança deixada pela pandemia, fica um legado positivo. Reaprendemos que vivemos numa aldeia global e que precisamos não de xenofobia e sim de solidariedade e integração internacional. Valorizamos a ciência e sua ágil corrida para produzir uma vacina. Enxergamos de forma mais nítida o quanto é importante o compromisso com o desenvolvimento sustentável, porque a destruição do meio ambiente é um tiro pela culatra. Revalorizamos o sistema e os profissionais de saúde, que provaram indo ao limite de suas forças, como são centrais na vida de todos nós.

Acordamos para a importância de uma maior atenção aos idosos, elos mais vulneráveis à pandemia. Descobrimos que é possível estar mais próximo aos filhos graças ao home office. Amadurecemos a consciência de que não precisamos de líderes truculentos, intolerantes, agressivos. A vitória de Biden, um líder sereno, moderado, experiente e conciliador, talvez seja a melhor notícia do ano. A derrota de Trump, com sua agressividade, boçalidade e suas fake news, abre um novo horizonte para o mundo.

Clarice um dia nos alertou: “Sei que cada dia é um dia roubado da morte”. Perdemos muitos dias de pessoas queridas. Mas 2021 bate à porta. Precisamos visceralmente de esperança. E Clarice mesmo nos ensinou: “O que verdadeiramente somos é o que o impossível cria em nós”.

Por Marcus Pestana – Congresso em Foco




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