Campo Grande, 21 de agosto de 2018

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Artigos, Crônicas • 18 mar, 2018

FOFOCAS: PENAS QUE VOAM


 

MANOEL AFONSO

 

“Agora eu quero que volte para casa, suba no telhado com um travesseiro, corte-o com a faca e volte a falar comigo”. Diz o padre à mulher ( interpretada por Mary Streep) que  pedira absolvição por ter levantado falso testemunho contra seu vizinho.

Ao retornar, ela relata o resultado: “Penas por toda parte”. E o padre determina: “Agora eu quero que volte lá e recolha cada pena que saiu voando com o vento”. Desesperada ela confessa: “Impossível. Não sei pra onde elas foram. O vento espalhou as penas pela cidade”.
Esse relato contido num filme do Youtube, mostra bem os estragos devastadores  e irrecuperáveis  que a fofoca pode provocar na vida de uma pessoa. A fantástica cena das penas voando sobre os telhados da cidade é emblemática! No caso, a mulher não avaliou a gravidade de sua atitude de maledicência contra alguém que ela convivia na comunidade. Se não podia recolher as penas, não poderia reverter os prejuízos de toda ordem que provocara com sua fofoca.
Convenhamos: quando se atribui falsamente à alguém algum fato não verdadeiro, acaba-se atingindo sua honra, com resultados imprevisíveis e irreversíveis até. Insisto: o que para aquela mulher poderia ser uma “mera fofoca de bairro – uma mentirinha leve, sem importância aparente”, sem maiores conseqüências, para a pessoa atingida (vítima) poderia ser um golpe fatal, levando-a à ruína moral, depressão e ao suicídio inclusive.
Fofocar é um ato inconsciente maligno,  vício da humanidade desde os tempos bíblicos. Aliás, admite-se que Maria, mãe de Jesus, foi alvo de fofocas na gravidez. Nem Jesus escapou das “línguas afiadas” devido suas relações com Madalena.  E grandes nomes da historia mundial também foram atingidos.
Mas a fofoca está revigorada em nossos dias: gera emprego e renda. Profissionais da mídia vivem dela em nome da audiência e do lucro. O advento da internet deixou todos nós vulneráveis. Poucas são as vítimas que buscam reparações e conseguem.  A própria lentidão do Judiciário favorece essa postura  apática das vítimas.  Daí, acabamos habituados a sua convivência em nosso cotidiano.
E qual a saída? Repensar as opiniões, reavaliar tudo que ouvimos e o que captamos na mídia. Se estamos expostos a “radiação da fofoca”, o ideal é adotarmos a ética e a prudência em nossas relações. A comparação dos efeitos da fofoca as penas do travesseiro é genial, não pode e não deve ser esquecida por todos nós.
 Pense nisso! De leve…   



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