Campo Grande, 25/06/2022

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Artigos • 17 jun, 2022

Onde fica a sede física?


(Cláudio Henrique de Castro) –

Os bancos fecharam mais de mil agências no ano de 2021, isso ocasionou longas
filas o que transformou a vida dos consumidores num flagelo para obter um simples
atendimento.

O Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander fecharam 1007 agências.
A ideia é que as pessoas usem sua internet e suas linhas telefônicas para serem
atendidas.

Ao invés de agências físicas, contrata-se uma central de atendimento com
pessoal terceirizado que possui parcos conhecimentos e não domina os assuntos do
negócio.

Há uma grande demora nesses atendimentos, e os custos são transferidos para os
consumidores que gastam suas internets e desperdiçam seu valioso tempo.
Por outro lado, há uma sensível redução de custos dos bancos, que seguem
impunes aos olhos desatentos do Banco Central e dos órgãos de defesa dos
consumidores.

O resumo: tudo passa a ser virtual e os consumidores que se danem.
Há relatos de clientes que esperaram por três horas para serem atendidos, numa
agência do Bradesco em Amambai (MS), informa o Instituto Brasileiro de Defesa do
Consumidor – IDEC.

Existe punição pelo tempo de espera em filas em favor dos consumidores, mas
na prática, ninguém reclama e a fiscalização é omissa.
Algumas empresas possuem centrais telefônicas, cujos clientes devem digitar
interminavelmente números e senhas e opções, e quando o consumidor consegue ser
atendido o atendente é mais perdido que cachorro que caiu de caminhão de mudança.

O calvário de enfrentar páginas da internet ou centrais telefônicas tornou-se
comum para milhões de consumidores que não tem a quem recorrer para resolver
questões simples e objetivas.

Na verdade, o atendimento online não consegue resolver problemas mais
complexos e graves e quem mais sofre são os vulneráveis que não tem como acessar a
internet ou dispor de tempo para ficar em intermináveis ligações telefônicas.

E quem não tem e-mail ou aparelho celular como é que faz?
O mundo digital causa exclusões invisíveis, como a dos idosos, dos especiais,
dos sem computador e tantos segmentos que necessitam de atendimento presencial em
agências físicas e não virtuais.

De outro lado, junto aos bancos e empresas há o crescimento das demissões e a
precarização dos postos de trabalho.
A defasagem do direito do consumidor no Brasil cobra seu preço, o tempo maior
para as pessoas resolverem seus problemas e o sucateamento do atendimento, com
custos que são pagos pelos próprios clientes.

Cada minuto na fila, na espera do telefone ou na internet aumenta os lucros dos
bancos e das empresas, com a redução da folha de pessoal e dos custos da sede física.
Em muitos casos o sistema de atendimento dos consumidores incorpora essa
lógica online, e quem paga a conta são os consumidores do final da fila.




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