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Política • 03 mar, 2021

Morre aos 91 anos o coronel aposentado Adib Massad


O coronel estava internado em estado grave no hospital da Unimed, na capital.

Jeder Massad, filho de Adib, se emocionou durante discurso de agradecimento na Alems (Foto: ALMS)

Faleceu nesta quarta-feira (3), em Campo Grande, o coronel da reserva da Polícia Militar e ex-vereador de Dourados, Adib Massad, ex-diretor do extinto GOF (Grupo de Operações de Fronteira), hoje DOF (Departamento de Operações de Fronteira).

O coronel estava internado em estado grave no hospital da Unimed, na capital.

Ele estava em “quadro de despedida”, como narrou a filha dele em áudio enviado para a família através do aplicativo.

“Conversei com a médica e ela afirmou que os últimos antibióticos estão sendo dados para o papai. São antibióticos fortes, ele está muito debilitado. Por causa dessa fragilidade física, o rim não vai suportar. Ela falou que o quadro clínico dele não é bom e o que eles podem fazer agora é só diminuir o sofrimento do papai”, diz Kátia Massad, a filha mais velha do coronel.

Adib Massad tem sete filhos, sendo quatro mulheres e três homens, um deles Jeder Massad, funcionário da segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, que chegou a discursar em uma cerimônia em homenagem ao pai naquela Casa de Leis.

Uma das filhas e um dos filhos são adotivos.

Adib criou fama por desarticular quadrilhas de traficantes na fronteira com o Paraguai. A fama o levou a ser o vereador mais votado da Câmara de Dourados nas eleições de 1996, com 2.830 votos.

GOVERNO

“Foi um exemplo como militar e como cidadão”, disse o governador Reinaldo Azambuja (PSDB).

Nascido em Cáceres (MT), em 22 de abril de 1929, de origem árabe, o coronel Adib Massad foi um dos policiais militares mais respeitados em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em seus mais de 31 anos de carreira.

Tornou-se uma lenda viva ao restaurar a ordem pública e reduzir a criminalidade na região de fronteira com o Paraguai no comando do antigo GOF, em Dourados, na década de 1990.

De poucas palavras, reservado, comedido, humilde e de caráter inabalável, o Coronel Dib, como era chamado, marcou sua trajetória policial pela coragem, determinação, disciplina e liderança. Para seus subordinados, foi mais além: um homem enérgico, porém justo, e operacional.

Iniciou carreira como oficial da Polícia Militar de Mato Grosso em 1953, assumindo, três anos depois, o cargo de delegado na cidade natal, Cáceres. Mesma função desempenhada em Poxoréu, Rondonópolis e Dom Aquino, no Norte o Estado, e em Jardim, Paranaíba e Porto Murtinho, ao Sul.

Águia da Fronteira

Foi delegado regional em Dourados e delegado de Roubos e Furtos em Cuiabá. Em 1966, comandou o 1º Batalhão da Polícia Militar de Campo Grande e, em 1975, a 4ª Companhia da Polícia Militar em Ponta Porã. Foi titular da delegacia especializada na área de tóxicos, entorpecentes e crimes contra o patrimônio, entre 1979/1980.

Depois de chefiar o Estado Maior da PM com a patente de coronel, em 1987, ganhou notoriedade nacional ao comandar o GOE (Grupo de Operações Especiais) e o GOF, entre 1988/1995.

No livro biográfico “Coronel Adib – A História”, de 2007, de autoria do escritor cearense Guimarães Rocha, também ex-policial militar, Massad conta que o GOF era uma corporação com apenas 50 homens e cinco viaturas, mas, apesar das dificuldades, teve uma atuação ímpar no combate à criminalidade.

“Todos respeitavam o GOF”, diz ele. “A ponto de nossas viaturas, ao passarem pela segunda vez numa altura qualquer da cidade (Dourados), já não encontrarem as mesmas pessoas avistadas. Mesmo o cidadão comum sabia que a viatura indicava um lembrete para endireitar os passos (…)”.

Proteção divina

Integrado por policiais militares e civis, O GOF ficou conhecido como a “Águia da Fronteira”. Em 1993, a sociedade organizada e Dourados, em homenagem ao Coronel Dib e seus comandados, espalhou outdoors pela cidade com os seguintes dizeres: “nas garras desta águia repousa a tranquilidade”.

Ao deixar a corporação, Adib Massad foi eleito vereador no município com uma votação histórica, em 1996, um reconhecimento público ao trabalho que desempenhou no combate ao narcotráfico, descaminho e roubos de veículos, que era frequente na época.

Quando lhe é feita uma pergunta, durante sua narrativa no livro que descreve sua trajetória – “o senhor acha que recebeu alguma iluminação de Deus?” -, esse homem sem rodeios e de fundamentos espirituais, responde: “Considero-me feliz, protegido muito além do que mereço, porque só a previdência divina para justificar o fato de eu estar vivo aqui, ainda hoje…”




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