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Esporte • 11 nov, 2023

O BOTAFOGO


(por Mário Montanha Teixeira Filho) –

Não sou botafoguense. Meu amigo de longa data, dos imprescindíveis, é. Penso nele a cada aparição do time alvinegro na tela da tevê. Os jogadores perfilados antes das partidas, fingindo cantar o hino nacional, eram, poucos dias atrás, o retrato da força. Hoje, são a cara do desespero. Ou a cara do Botafogo, um clube único, como a estrela pujante do seu escudo, reunião mística de apaixonados, expressão do amor sem limites. Gosto disso, e tenho torcido sinceramente para que acabe o jejum de 28 anos que assombra a tradição de General Severiano e a modernidade do estádio Nilton Santos.

Não está fácil. A façanha recente – raio caído duas vezes no mesmo lugar – não deve ter registro na história do futebol. Com o título do Brasileirão nas mãos, o Botafogo desandou a perder. E perdeu profundamente, e perdeu de modo cruel e degradante, e perdeu em viradas históricas, acachapantes, épicas. Se estivesse vivo, Nelson Rodrigues diria muito do que seus olhos testemunhariam – ele, que se espantou com os quatro gols de Ziquita assinalados na tarde de um domingo de 1978, na antiga Baixada, em Curitiba. Quatro gols nos quinze minutos finais de uma partida inacreditável, que deram ao Atlético, que era humilhado pelo Colorado, um empate de 4×4 comemorado como título.

Estava lá o Sobrenatural de Almeida, como esteve o Sobrenatural de Almeida nos jogos em que o Botafogo, nos seus domínios, ganhava de 3×1 de Palmeiras e Grêmio e terminou com a mesma derrota, pelo mesmo placar, pelo mesmo 3×4. Isso tudo no espaço de duas semanas. Só duas! Em cada um dos episódios, a imagem impressionante: os rostos incrédulos dos atletas, prestes a chorar como crianças desamparadas, sem entender nada. Cenas comoventes, feitas de emoção e drama.

Por algum motivo, os deuses do futebol – os que existem – decidiram testar a fé botafoguense, que sobrevive por aparelhos. O time ainda está em primeiro, pode ser campeão, mas é perseguido por uma nuvem pesada e terrível, pelo medo e pela tristeza. Espero que isso tudo passe, e que o Botafogo siga o seu rumo, leve a taça. Pelo meu amigo. E pelo que resta de emoção num campeonato de técnicos burocratas, jogadores alienados e arenas insuportáveis.

Fonte – Blog do Zé Beto




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