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Política • 26 abr, 2024

“Nós vamos fazer que dê certo”, diz presidente da Petrobras durante visita à UFN3


O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, visitou nesta manhã a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados de Três Lagoas (UFN3), que teve as obras interrompidas em 2014, com cerca de 81% do projeto concluído.

A vistoria é o primeiro passo para a reativação da obra, que é uma promessa do governo do presidente Lula, que planeja buscar a autonomia do Brasil na produção de fertilizantes agrícolas. Segundo Prates, antes de se pensar em uma nova fábrica, é razoável dar continuidade na que já está prestes a ser concluída.

“Nós vamos fazer que dê certo”, afirmou Prates, reiterando sua confiança na viabilidade do projeto. “Esse miolo aqui é capaz de produzir um terço dos grãos que produzem os dois Mato Grosso”, disse, referindo-se à região que circunda a planta da fábrica de fertilizantes. “Esse foi o raciocínio ao implantar a usina em Três Lagoas”, continuou.

Em fevereiro deste ano, quando o Correio do Estado noticiou em primeira mão que Prates viria à Mato Grosso do Sul em abril, o presidente da Petrobras havia dito à reportagem que a informação de que 81% das obras estavam prontas poderia não estar atualizado, já que a estrutura ficou parada por uma década.

No entanto, após a vistoria acompanhado de diretores da área técnica à planta, Prates adiantou que a planta está super bem cuidada, e exaltou os profissionais que ficaram responsáveis pela guarda do patrimônio, dizendo que eles “fizeram um serviço excelente”.

O presidente da Petrobras garantiu ainda que, em paralelo a essa agenda, está em curso a avaliação técnica e econômica do projeto.

“É como se a gente estivesse começando do zero, mas aproveitando todo o processo que já existe. Uma vez definida a viabilidade econômica, o quanto é viável, o que falta para ser mais viável para poder ajudar o projeto ao longo da vida dele, nós, então, poderemos anunciar a retomada das obras, a contratação de edital ou a vinda de um parceiro nosso. A gente ainda está definindo tudo isso”, disse.

Ainda não há um prazo para a conculsão das obras, mas o desejo da equipe é que ela seja entregue entre 2025 e 2026. A data não foi fixada, porque ainda dependerá do desenvolvimento das obras.

Em Três Lagoas, Prates esteve acompanhado da ministra do Planejamento, Simone Tebet. A equipe foi recepcionada pelo governador Eduardo Riedel, pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, deputados, prefeitos e demais autoridades.

Saiba: Em outubro do ano passado, a Petrobras alterou seu estatuto e a produção de fertilizantes voltou a fazer parte do conjunto de produtos e atividades da empresa.

O secretário Jaime Verruck disse estar “muito confiante” com a sinalização feita pelo presidente da Petrobras da retomada das obras. Verruck afirmou que havia conversado com Prates pouco antes da entrevista coletiva e previu que Três Lagoas irá retomar o ritmo de grandes investimentos e impulsionar seu desenvolvimento com a conclusão da UFN III e com os empreendimentos da Arauco e da Eldorado anunciados recentemente.

Eduardo Riedel também ressaltou o “ciclo positivo” que a região e todo Estado de Mato Grosso do Sul vivem, com o anúncio de vários investimentos dos setores público e privado. O governador lembrou da ferrovia que está em vias de ser construída ligando Aparecida do Taboado e Três Lagoas para escoar a produção de celulose. A ferrovia também é complementar à produção de fertilizantes da UFN III, disse Riedel. “Um grande ganho e um diferencial competitivo para a operação dessa fábrica aqui”, completou.

Histórico

As obras da fábrica em Três Lagoas começaram em 2011 e deveriam ser concluídas em três anos e meio, mas foram paralisadas em dezembro de 2014 com 81% concluídas, quando a estatal rescindiu contrato com o consórcio responsável pela construção alegando não cumprimento de compromissos trabalhistas e com fornecedores. A construção ficou paralisada desde então.

Em fevereiro de 2018 a Petrobras engendrou negociações para vender a planta ao grupo russo Acron. Executivos da empresa chegaram a visitar a Bolívia para negociar diretamente com o país vizinho o fornecimento de gás natural. Em fevereiro de 2022, a Petrobras chegou a confirmar, por meio de comunicado de mercado, que havia fechado acordo para as minutas contratuais da venda da UFN III ao grupo russo.

Executivos da empresa chegaram a visitar a Bolívia para negociar diretamente com o país vizinho o fornecimento de gás natural. Em fevereiro de 2022, a Petrobras chegou a confirmar, por meio de comunicado de mercado, que havia fechado acordo para as minutas contratuais da venda da UFN III ao grupo russo. Entretanto, ao ser divulgado o Plano de Negócios da Acron, ficou claro que o grupo não tinha intenção de concluir a fábrica de fertilizantes e, sim, instalar apenas uma misturadora do produto. O Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Três Lagoas, que concederam incentivos fiscais para a atração do empreendimento, opuseram-se ao Plano de Negócios e a Petrobras cancelou a venda.

Por fim, em novembro do ano passado, a Petrobras decidiu retomar a construção da fábrica. Ao divulgar os detalhes do plano estratégico de investimentos para o período de 2024 a 2028, a petrolífera deu destaque à retomada da construção da UFN III com a expectativa de concluir as obras num prazo de até dois anos. Agora, a previsão de retomada das obras passou para fim de 2024.

A UFN III ocupa uma área total de aproximadamente 965 mil metros quadrados (o que equivale a 116 campos de futebol), sendo que somente a área construída corresponde a 667 mil metros quadrados. Na fase de obras a empresa projetou a contratação de cerca de 5 mil trabalhadores, enquanto na fase de operação, está prevista a geração de aproximadamente 505 postos de trabalho.

Assim que concluída, conforme descrito no EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental), a unidade deverá produzir aproximadamente 2.200 toneladas de amônia por dia e 3.600 toneladas de ureia por dia, ou seja, essa será a maior fábrica de fertilizantes nitrogenados no Brasil.

A UFN III terá um papel fundamental na redução da dependência sul-mato-grossense dos nitrogenados, contribuindo também para o País atingir a autonomia no setor de fertilizantes. Em 2022, Mato Grosso do Sul importou 145,8 mil toneladas de ureia e 205 mil toneladas de sulfato de amônia; em 2023 aumentaram as importações: 177,17 mil/ton de ureia e 211 mil/ton de amônia.

O Brasil também é grande importador de fertilizantes. Em 2022, conforme dados apurados pela Assessoria de Economia e Estatística da Semadesc, foram importados 7,09 milhões de toneladas de fertilizantes a base de ureia e 5 milhões de toneladas de sulfato de amônia; em 2023 os números passaram para 7,3 milhões/ton de ureia e 5,11 milhões/ton de amônia. Fonte – CE




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